- O exercício fiscal de 2026 fechou com lucro líquido de apenas 1,3 milhões de euros, frente a 213,9 milhões no ano anterior.
- As receitas subiram 8%, para 5.691,4 milhões de euros, com recorde de 69,7 milhões de passageiros, e a taxa de ocupação ficou em 90,7%.
- Os custos aumentaram 8,9%, totalizando 5.551,7 milhões de euros, enquanto o lucro operacional caiu 16,6% para 139,7 milhões; o EBITDA ficou em 1.318 milhões de euros.
- O encarecimento do combustível, ligado às tensões no Oriente Próximo, pressionou os resultados e a base de Abu Dhabi foi fechada no segundo trimestre.
- A companhia não apresentou previsões para 2027 devido à incerteza geopolítica; o CEO Jozsef Varadi destacou a continuidade da estratégia de expansão e investimentos em frota, pessoal e capacidades comerciais.
Wizz Air praticamente empatou na margem de lucro no último exercício fiscal, afetada pelo conflito no Oriente Médio. A companhia húngara de baixo custo informou que o lucro líquido foi de 1,3 milhão de euros, em comparação com 213,9 milhões de euros no ano anterior. O período encerrou em 31 de março de 2026.
Mesmo com o resultado líquido próximo de zero, a Wizz Air registrou recordes de atividade. As receitas totalizaram 5,691 bilhões de euros, ante 5,270 bilhões no exercício anterior, refletindo um crescimento de 8%. O número de passageiros atingiu 69,7 milhões, aumentando 10% em relação ao ano anterior. A taxa de ocupação ficou em 90,7%, queda de meio ponto percentual.
As despesas, porém, cresceram mais rapidamente, elevando-se 8,9% para 5,552 bilhões de euros. O último trimestre foi marcado pela maior pressão de custos, com o resultado operacional recuando 16,6%, para 139,7 milhões de euros. O EBITDA ficou em 1,318 bilhão de euros, também em recorde para a empresa.
Impacto do conflito e desempenho operacional
A companhia atribui boa parte do aperto financeiro ao custo do combustível, pressionado pela geopolítica na região. O fechamento da base de Abu Dabi no segundo trimestre também ficou registrado como impacto relevante para as operações. O CEO Jozsef Varadi destacou a resiliência do grupo diante de um ambiente desafiador, com estabilização de receitas e melhoria da gestão de custos na primeira metade do exercício.
Varadi ressaltou ainda que o desempenho permaneceu positivo mesmo com pressões sobre receitas e combustíveis no fim do período, citando a conjuntura regional do Golfo como fator de volatilidade. O grupo manteve lucro, apesar das adversidades esperadas nesses meses finais.
Resultados por área de negócios e perspectiva de frota
As receitas com venda de bilhetes cresceram 8,4%, somando 3,160 bilhões de euros, enquanto serviços auxiliares atingiram 2,530 bilhões, alta de 7,6%. Entre os custos, a mão de obra subiu 16%, para 656 milhões, e manutenção, materiais e reparos avançaram 40,1%, para 462 milhões. Devoluções a passageiros totalizaram 136,8 milhões, queda de 17%.
Ao fechar o exercício, a empresa operava com uma frota de 232 aeronaves, com 30 inativas para inspeções de motores GTF, número menor que no fim do período anterior. A Wizz Air prevê reduzir o total de aviões imobilizados para cerca de 15 até o encerramento do próximo ano fiscal.
A companhia não apresentou previsões para 2027, citando a falta de visibilidade causada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e pelo bloqueio do estreito de Ormuz. Varadi, no entanto, reiterou o compromisso com o plano de expansão, incluindo investimentos em frota, pessoal e capacidade comercial para sustentar o crescimento de longo prazo.
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