- Em janeiro a maio de 2026, o volume financeiro registrado de COEs caiu 21,4% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 14,2 bilhões.
- O varejo tradicional e a alta renda somaram, em abril, R$ 100,2 bilhões investidos em COEs, índice superior ao registrado em 2021 e a maior parte do montante da classe.
- O tom do mercado mudou: travas mais rígidas de suitability e mudanças no desenho das estruturas reduziram o apetite de varejo e elevaram o controle de risco.
- O episódio envolvendo Ambipar, com o pedido de recuperação judicial, abalou a confiança em COEs de crédito, destacando que o capital não está integralmente protegido.
- Apesar da queda do volume, a quantidade de contratos aumentou 8,2% entre janeiro e maio de 2026, com o tíquete médio recuando de aproximadamente R$ 225 mil para cerca de R$ 164 mil.
Os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) passaram de produto de nicho a parte relevante do portfólio de investidores no Brasil, segundo dados públicos da B3 compilados pelo NeoFeed. Em abril, varejo tradicional e alta renda somaram 100,2 bilhões de reais em COEs, mais de três vezes o volume de 2021 e 29% acima do investido em fundos de ações. São 710 mil contas com COEs, ante cerca de 300 mil em 2021.
Entretanto, a trajetória de crescimento ganha sinais de desaceleração. Entre janeiro e maio de 2026, o volume de COEs caiu 21,4% ante o mesmo período de 2025, para 14,2 bilhões de reais. Gestoras destacam uma combinação de fatores que vão desde mudanças no suitability até campanhas negativas nas redes sociais. O episódio Ambipar atuou como gatilho de mudanças.
Mudanças regulatórias e impacto
O caso Ambipar, com o pedido de recuperação judicial, evidenciou que o capital protegido em COE de crédito não era garantia de proteção frente a eventos de crédito no exterior. A partir de 2025, a Anbima passou a estabelecer regras de classificação de risco mais rígidas para estruturas de maior risco, restringindo o público-alvo.
Além disso, plataformas passaram a aplicar travas mais rigorosas na distribuição, considerando perfil de risco, idade, prazo e exposição máxima na carteira. A prática de permitir alocações elevadas foi restringida para evitar situações de grande concentração.
Por que houve mudança de vento
O streaming de emissões de COEs sofreu com perdas associadas a créditos internacionais, especialmente no caso Ambipar. Investidores perceberam que a proteção de capital não se aplicava ao crédito externo, gerando ruptura de confiança no produto, segundo analistas.
Outro fator é a transição do modelo de remuneração de comissões para fee fixo em assessorias. Comissões menores viram redes de distribuição repensar estratégias, valorizando condições mais benéficas para o cliente dentro do próprio COE.
Amadurecimento do mercado
Mesmo com a desaceleração, houve aumento de 8,2% na quantidade de contratos entre janeiro e maio de 2026, de 80.280 para 86.837. O tíquete médio recuou, refletindo decisão mais criteriosa dos compradores: de cerca de 225 mil reais em 2025 para 164 mil reais em 2026.
Ligada a isso, a alta renda registrou desaceleração de estoque expressiva. O estoque passou de 3,7 bilhões de reais entre dezembro e abril de 2025 para 8,6 bilhões no mesmo período de 2026, indicando menor expansão em comparação ao ano anterior. O varejo manteve trajetória estável, com leve aumento.
Perspectivas para o mercado
O private manteve ritmo de crescimento, chegando a 22% da expansão total dos estoques de COE em 2026, ante 13% em 2025. Analistas sinalizam que o mercado tende a continuar mais seletivo, com foco em perfis adequados e prazos compatíveis aos objetivos do investidor. A tendência é de oferta mais alinhada ao apetite de cada cliente.
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