- O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou um novo pacote de medidas para ampliar a atuação de empresas privadas em Cuba.
- Houve a expectativa de acelerar a aprovação de pedidos de abertura de negócios que ainda aguardam autorização.
- Empresas privadas poderão investir na economia em condições semelhantes às oferecidas a investidores estrangeiros.
- O governo estuda eliminar intermediários estatais nas operações de importação e exportação e ampliar a autonomia das empresas.
- As medidas ocorrem em meio à grave crise econômica, com apagões e escassez de combustíveis agravadas pelo embargo dos EUA, e acompanham reformas na máquina pública e no sistema de racionamento.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou nesta sexta-feira um novo pacote de medidas para ampliar a atuação de empresas privadas no país, numa tentativa de enfrentar a crise econômica. As mudanças visam amenizar a alta dependência de importação de combustível, agravada pelo embargo dos Estados Unidos. A divulgação ocorreu em meio a frequentes apagões.
Díaz-Canel afirmou que o governo pretende acelerar a aprovação de negócios pendentes e permitir investimentos privados locais em condições semelhantes às oferecidas a estrangeiros. Também está em estudo reduzir intermediários estatais em operações de importação e exportação.
Negócios privados em terra comunista
As empresas privadas, autorizadas desde 2021, ganham espaço numa economia ainda fortemente controlada pelo Estado. Hoje, podem empregar até 100 funcionários e, desde fevereiro, têm acesso à importação de combustível, atividade antes monopólio estatal.
Outra linha de ação é permitir que empresários cubanos invistam na economia com tratamento igual ao de investidores estrangeiros, diante da saída de parte do capital externo por temor de sanções.
Reestruturação e descentralização
Díaz-Canel afirma que está em estudo eliminar intermediários nas importações e exportações. Ao mesmo tempo, há prioridade para aumentar a descentralização econômica e ampliar a autonomia das empresas estatais, que respondem por cerca de 80% da atividade no país.
O governo também retoma a ideia de reformular a máquina pública, com redução do número de ministérios e queda no quadro de servidores públicos. A proposta deve seguir ao Parlamento em julho, segundo anúncio oficial.
Mudanças no sistema de consumo
Outra linha em discussão é a revisão da livreta, o sistema de racionamento criado após a Revolução. A proposta aponta para restringir o benefício aos grupos mais vulneráveis, em eixo de ajuste social.
Cuba enfrenta uma das piores crises de sua história recente, com escassez de alimentos, medicamentos e combustível, além de apagões. O agravamento é associado ao endurecimento de sanções e ao embargo econômico vigente.
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