- El Niño voltou e pode provocar nova onda de impactos na economia global, elevando preços de alimentos, energia, transporte e seguros.
- As condições começaram a se formar em maio e devem ganhar força no segundo semestre, com pico previsto para o verão no hemisfério norte.
- A agricultura é um dos setores mais vulneráveis; o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima que os preços de alimentos subam até quatro vírgula sete por cento em dois mil e vinte seis, com açúcar e cacau podendo subir até oito vírgula quatro por cento.
- Além de alimentos, há riscos logísticos e de produção: chuvas e secas afetam safras, a pesca da anchoveta no Peru foi suspensa e o Canal do Panamá pode enfrentar restrições, elevando custos de frete.
- Especialistas alertam que impactos podem durar anos e que o aquecimento global pode tornar os efeitos mais intensos, exigindo planejamento para manter a oferta estável.
O El Niño retornou oficialmente e pode provocar novos impactos sobre a economia mundial nos próximos meses, elevando preços de alimentos, energia, transporte e seguros. Cientistas apontam que este episódio pode ser um dos mais intensos das últimas décadas.
Condições características começaram a se formar em maio, segundo o CPC, e devem intensificar ao longo do ano, com pico previsto no verão do Hemisfério Norte. O cenário coincide com inflação ainda elevada e tensões geopolíticas.
O fenômeno aquece as águas do Pacífico Equatorial, alterando padrões climáticos globais. Regiões como Austrália e Sudeste Asiático costumam enfrentar secas; áreas da América Latina, enchentes e deslizamentos.
Especialistas afirmam que o aquecimento global amplia a intensidade e imprevisibilidade dos efeitos do El Niño, tornando previsões anteriores menos confiáveis. A observação é parte de um processo de avaliação contínua.
Os mercados agrícolas aparecem entre os mais vulneráveis. O USDA projeta alta de até 4,7% nos preços de alimentos dos EUA em 2026, com picos de até 8,4% para açúcar e cacau.
Em 2023, o El Niño contribuiu para forte elevação de preços de cacau e chocolate, devido a secas na África Ocidental. O açúcar também registrou pressão, ampliando custos de produção mundial.
Na Índia, o monção chegou com atraso e previsão indica precipitações 10% abaixo da média. O país é grande produtor de arroz, açúcar e oleaginosas, elevando o risco de pressões internacionais de preços.
Além da agricultura, o El Niño pode elevar custos logísticos. Chuvas intensas prejudicam estradas, ferries e transporte da produção, aumentando prazos e tarifas de frete.
No Peru, autoridades suspenderam a temporada de pesca da anchoveta por aquecimento das águas. A espécie é base para farinha e óleo de peixe usados na alimentação animal, o que pode impactar custos de proteína animal.
A FAO alerta para riscos de insegurança alimentar e seca na América Latina, Caribe e sul da África, conforme o contexto de mudanças climáticas. A agência destaca a necessidade de monitoramento constante.
Os impactos vão além da produção de alimentos. Ondas de calor elevam demanda por energia para refrigeração, enquanto eventos extremos podem interromper fornecimentos e danificar infraestrutura.
O Canal do Panamá enfrentou seca recente que reduziu o nível de água, atravessando fases de restrição de tráfego. A administração do canal afirma preparar medidas para mitigar efeitos, mas prevê estação seca prolongada.
Especialistas destacam que a combinação El Niño com aquecimento global impõe novos riscos. Temperaturas oceânicas elevadas tornam fenômenos naturais mais intensos do que no passado.
Estudos indicam que choques semelhantes, como o período 2015-2016, geraram perdas globais de produtividade que superaram US$ 7,8 trilhões ao longo de anos. A preocupação é a repetição em contextos já fragilizados.
Economistas ressaltam a importância de políticas de mitigação e resiliência para choques climáticos, com foco em segurança alimentar, energia e transporte. A ideia é reduzir a volatilidade de preços nos próximos meses.
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