- Em 9 de outubro, no fórum Anfavea Visions, o presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, alertou sobre ameaça à competitividade da indústria automotiva brasileira frente ao mercado asiático.
- Ele afirma que o Brasil precisa acelerar o ritmo de desenvolvimento de novos veículos para acompanhar as chinesas recém-chegadas, sob risco de ficar para trás devido à diferença de escala produtiva e à possível adoção do fim da jornada de trabalho 6×1.
- Segundo Zola, os ciclos longos de planejamento das montadoras ocidentais não acompanham a velocidade das concorrentes asiáticas, exigindo mudanças no timing de desenvolvimento de produto.
- O executivo aponta que o fim da escala 6×1 pode elevar custos de produção no Brasil em comparação com a China, impactando a competitividade das linhas de montagem locais.
- A Stellantis defende que o governo crie mecanismos de compensação baseados no volume de componentes produzidos localmente para reduzir o gap de custos, destacando a diferença de escala entre Brasil (cerca de 3 milhões de carros por ano) e China (próximo de 30 milhões).
O presidente da Stellantis na América do Sul alertou sobre riscos à competitividade da indústria automotiva brasileira diante do mercado asiático. O tema ganhou destaque durante o fórum inédito Anfavea Visions, realizado nesta terça-feira.
Herlander Zola apontou que a atual velocidade de desenvolvimento de novos veículos precisa acelerar para acompanhar as chinesas recém-chegadas. Ele ressaltou que a mudança depende de mudanças de escala e, em especial, do fim da jornada de trabalho 6×1 em discussão.
Segundo o executivo, a indústria ocidental trabalha com ciclos longos, o que pode tornar o Brasil menos ágil frente às concorrentes da Ásia. Otimizar o timing de lançamento de produtos seria essencial para manter competitividade.
Zola também destacou impactos financeiros e operacionais da possível mudança na jornada de trabalho para as linhas brasileiras. Em comparação com a China, ele citou maior carga de horas trabalhadas por semana no país asiático.
O representante da Stellantis afirmou que o setor deve se ajustar às regras governamentais. O objetivo, segundo ele, é esclarecer impactos e buscar adaptação às decisões que interferem na competitividade.
A pauta de nacionalização de peças vem perdendo força frente à expansão da capacidade de produção da China. O executivo ressaltou que a lógica de estímulo à indústria nacional precisa considerar o volume de componentes locais.
Para reduzir a desvantagem, Zola sugeriu mecanismos governamentais que Compensem custos com base no nível de localização. A ideia é evitar desidratação do parque industrial brasileiro, mantendo escala competitiva.
Ele lembrou ainda a diferença de escala entre Brasil e China, destacando que o Brasil produz cerca de 3 milhões de carros por ano, bem abaixo dos quase 30 milhões da China. A comparação evidencia o desafio de competitividade.
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