- IPCA de maio subiu 0,58%, acumulando 4,72% em doze meses, e permanece acima do teto da meta.
- Núcleos de inflação caíram de 0,50% para 0,45%, indicando menor pressão persistente sobre os preços.
- Queda de 1,46% da gasolina e recuo do petróleo no mercado internacional ajudam a sinalizar menor pressão inflacionária.
- Possibilidade de início de um ciclo de cortes de juros volta a ganhar força, segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD.
- Copom deve manter a Selic na próxima reunião, com o cenário de cortes dependente da evolução das contas públicas e das expectativas de inflação.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio reacendeu as apostas do mercado em um ciclo de cortes da Selic nos próximos meses. A inflação oficial ficou acima das expectativas, mas a queda nos núcleos de inflação trouxe alívio para investidores e economistas. O objetivo é acompanhar o ritmo de desaceleração dos itens mais persistentes.
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, afirmou que o mercado passou a precificar abertura para cortes de juros, graças à leitura do IPCA e à desaceleração dos núcleos. Ele ressalta que os sinais são de melhoria, ainda que a inflação cheia permaneça acima da meta.
O IPCA de maio subiu 0,58%, acumulando 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta. O núcleo, contudo, caiu de 0,50% para 0,45%, sinalizando enfraquecimento das pressões de curto prazo sobre os preços. A gasolina recuou 1,46% e o petróleo registrou queda no mercado internacional.
Inflação ainda preocupa, mas cenário melhora
Para Spyer, a leitura vai além do índice cheio. A taxa de inflação subjacente mostra desaceleração gradual, o que pode abrir espaço para flexibilização monetária no futuro. O movimento, porém, depende da evolução das contas públicas e das expectativas de inflação.
Ele afirmou que pode haver espaço para cortes nos próximos meses, desde que a situação fiscal não piore e as perspectivas de inflação continuem cedendo. O cenário não elimina riscos, mas aponta para uma inflação menos resistente.
Copom deve manter cautela
Mesmo com a mudança de percepção, a visão de mercado para a próxima reunião do Copom é pela manutenção da Selic. Ainda assim, os dados de maio alimentam a hipótese de que o ciclo de altas pode ter chegado ao fim ou estar próximo do fim.
Investidores já projetam quando o Banco Central poderia iniciar um processo gradual de redução da taxa básica, caso o cenário fiscal e a inflação se mantenham sob controle. O tema permanece condicionado a fatores externos e à evolução da atividade doméstica.
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