- No fórum Anfavea Visions, realizado nos dias 9 e 10 de junho, líderes da Volkswagen do Brasil e da Stellantis América do Sul discutiram diferenças entre escolas automotivas alemã e chinesa.
- A escola alemã é associada à engenharia robusta e longos ciclos de testes, enquanto a chinesa privilegia agilidade, tecnologia e prazos mais curtos.
- O Brasil, oitavo maior produtor e sexto maior consumidor de carros, precisa navegar entre demandas locais, infraestrutura e restrições de poder de compra.
- Para manter competitividade, executivos afirmam que é necessário acelerar o timing de desenvolvimento, sem perder qualidade, combinando engenharia alemã com velocidade chinesa e o-jeitinho brasileiro.
- O mercado brasileiro demanda adaptações específicas, como suspensão adequada, motores flex e acabamento compatível com as condições locais, para produtos vindos de plataformas internacionais.
O mercado automotivo brasileiro recebe reflexos de uma disputa entre duas escolas globais de desenvolvimento. Durante o fórum Anfavea Visions, realizado nos dias 9 e 10 de junho, líderes de VW e Stellantis debateram como a indústria pode evoluir no Brasil diante da transição energética. A discussão apontou diferenças entre a tradição alemã de engenharia e a agilidade chinesa na criação de veículos.
A conversa destacou o impacto dessa diferença cultural na formação de escolas automotivas no Brasil. A visão alemã privilegia planejamento, testes rigorosos e robustez mecânica, enquanto a abordagem chinesa privilegia rapidez, tecnologia, software e escala de produção. O país, sexto maior consumidor de carros, enfrenta a necessidade de adaptar ofertas às exigências ambientais e tecnológicas.
Essa dicotomia influencia decisões estratégicas no curto prazo. Ciro Possobom, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, reconhece a força da engenharia alemã, mas enfatiza a importância de conciliar eficiência e velocidade, adaptando modelos à realidade brasileira. Do lado da Stellantis, Herlander Zola aponta que o timing de desenvolvimento precisa ser mais ágil para manter competitividade.
O debate também abordou o cenário competitivo resultante da entrada de montadoras chinesas como BYD, GWM e Geely, que aceleraram prazos de lançamento de novos modelos para o Brasil. Técnicas de desenvolvimento mais rápidas desafiam o ritmo das fabricantes ocidentais, que precisam revisar estratégias de produto e software.
Para o mercado brasileiro, a adaptação passa por levar em conta infraestrutura, renda e condições das vias. Modelos com suspensão adequada, motores flex e acabamentos ajustados são citados como requisitos locais. A meta é combinar confiabilidade mecânica com conectividade e tecnologia, sem perder a viabilidade de mercado.
A discussão também ressaltou a necessidade de evoluir plataformas e selecionar caminhos de engenharia que atendam às especificidades nacionais. A possibilidade de adaptar plataformas existentes ou importar soluções com ajustes regionais foi apresentada como opção para acelerar a transição sem abrir mão da qualidade.
Entre na conversa da comunidade