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Refinarias brasileiras alimentaram esquema ligado ao PCC, apontam documentos

Riograndense e Petrodansk teriam fornecido nafta para esquema do PCC, evidenciando riscos ao setor de energia e maior exposição a sanções dos EUA

Refinaria Riograndense - Divulgação
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  • A Riograndense, refinaria gaúcha controlada por Petrobras, Braskem e Ultrapar, foi um dos principais fornecedores, vendendo mais de cento milhões de litros de nafta para a Petrodansk entre 2023 e 2024.
  • A Petrodansk é investigada pelo Ministério Público de São Paulo por desvio de nafta para postos de gasolina, em um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital, PCC.
  • Documentos da Agência Nacional do Petróleo mostram que a Riograndense enviou a maior parte da nafta para a Petrodansk sem o marcador químico exigido para coibir fraudes, em cento e dezesseis milhões de litros dos cento e trinta e nove milhões vendidos entre fevereiro de 2023 e setembro de 2024.
  • A Riograndense alegou falha operacional não intencional na marcação e afirmou ter reestruturado o sistema, além de ter bloqueado as vendas à Petrodansk em outubro de 2024.
  • A designação dos Estados Unidos como Organização Terrorista Estrangeira para o PCC aumenta o risco de sanções a empresas com vínculos ao grupo, impactando o setor de combustíveis e operações ligadas à lavagem de dinheiro.

Naiefa de nafta vendida por refinarias brasileiras aparece em esquema ligado ao PCC, conforme documentos da ANP e informações de uma fonte próxima à investigação. Mais de 100 milhões de litros teriam sido enviados a uma empresa investigada por fraude e lavagem de dinheiro associada à facção. Entre os principais fornecedores, está a Riograndense, refinaria no Rio Grande do Sul administrada por Petrobras, Braskem e o conglomerado Ultrapar.

A Petrodansk, que recebeu a nafta, é apontada pelo Ministério Público de São Paulo como destinatária de desvios para postos de combustível em um esquema de contrabando. A investigação também envolve a ligação entre a Petrodansk e a rede de distribuição de solventes, com acusações de envio de combustíveis para o interior do país sem o devido controle.

Segundo a ANP, a Riograndense teria encaminhado a maior parte dos carregamentos sem o marcador químico exigido para prevenir fraudes. A empresa disse que a irregularidade foi falha operacional não intencional, já corrigida, e que as autorizações estavam válidas à época dos envios.

A Petrodansk não respondeu a pedidos de comentário. Em redes sociais, a companhia negou irregularidades e informou que esclarecerá os fatos oportunamente. A Riograndense informou ter bloqueado as vendas para a Petrodansk em outubro de 2024 após Identificação de potenciais indícios de não conformidade, sem detalhar os itens.

Contexto e desdobramentos

A Riograndense afirma que as autorizações legais para a venda estavam em vigor no momento dos carregamentos. A Petrobras e a Ultrapar destacaram que a Riograndense opera de forma independente e que não foram notificadas de investigações pelo Ministério Público de São Paulo. A Braskem não se manifestou.

A investigação ressalta riscos para o setor energético brasileiro diante de novas medidas dos Estados Unidos, que designaram o PCC como Organização Terrorista Estrangeira. A designação amplia o alcance de sanções para empresas ligadas ao grupo, especialmente em transações com entidades estadunidenses. Especialistas destacam que o modo de atuação envolve lavagem de recursos pela cadeia de suprimentos, incluindo combustíveis.

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