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Safra de trigo deve encolher 20% e ampliar dependência externa

Safra de trigo deve encolher 20% e ampliar dependência externa, com redução de área cultivada e queda de investimentos, elevando compras externas em 2026

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  • A produção de trigo no Brasil deve ficar em 6,3 milhões de toneladas na próxima safra, queda de 20% em relação ao ciclo anterior.
  • A área semeada deve chegar a 2,1 milhões de hectares, redução de 13,4% frente ao ano passado, com produtividade média estimada em 2,9 toneladas por hectare (-7,6%).
  • Produtores reduzem investimentos na lavoura, com menor uso de insumos, menos sementes certificadas e maior cautela ante custos elevados.
  • A dependência de importações continua alta, com projeção de compras externas de 6,8 milhões de toneladas em 2026 e estoques finais de 1,5 milhão de toneladas.
  • O cultivo de canola avança em regiões tradicionalmente de trigo, especialmente no Rio Grande do Sul, enquanto o Paraná também registra expansão.

O Brasil se aproxima de uma nova safra de trigo com menor área plantada e menor rendimento. A produção deve ficar em 6,3 milhões de toneladas, queda de 20% ante o ciclo anterior. O cenário reflete custos maiores e menor investimento no cultivo.

A área semeada foi estimada em 2,1 milhões de hectares, 13,4% a menos que no ano passado. A produção média esperada é de 2,9 toneladas por hectare, frente a 3,15 t/ha na safra anterior. Produtores ajustam planos por custos elevados.

Os custos de produção cresceram 10,46% em maio, segundo a TF Consultoria, o maior avanço anual. Em resposta, parte dos produtores reduziu investimentos, uso de insumos e adesão a sementes certificadas.

Em regiões estratégicas, áreas que costumavam plantar trigo ganharam espaço para culturas de inverno mais atrativas. A canola e o sorgo são exemplos desse reposicionamento econômico. Condições climáticas também pesam.

Há preocupação com o El Niño, que pode trazer inverno mais chuvoso em partes produtoras. O fenômeno aumenta riscos de perdas de produtividade e envolve planejamento de risk management entre lavouras.

Mercado e importações caminham juntos. Em maio, trigo importado sustenta o abastecimento, apesar da alta do dólar. A Conab projeta compras externas de 6,8 milhões de toneladas para 2026.

Os estoques finais deverão ficar em cerca de 1,5 milhão de toneladas, abaixo do volume da safra anterior. Com menor produção interna, a dependência externa tende a ampliar-se no curto prazo.

Historicamente, a Argentina é fornecedora relevante, mas há relatos sobre qualidade de parte do trigo disponível. A situação reforça a relevância de monitorar oferta, demanda e preços no cenário internacional.

Canola avança no campo de inverno. No Rio Grande do Sul, a área cresceu 52,5%, para 320,1 mil hectares, impulsionada por contratos com indústria, demanda por óleos e biodiesel. O Paraná também expande a cultura.

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