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Aluguéis de curta duração impulsionam rede de serviços no Rio

Expansão de aluguéis por temporada no Rio impulsiona rede de serviços e rentabilidade de proprietários, mas reduz disponibilidade de imóveis para aluguel tradicional

Ex-confeiteira, Mariana Martins começou administrando o próprio apartamento em 2024 por falta de empresas que atendessem a região do Santo Cristo, no Rio de Janeiro
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  • O Rio tem cerca de vinte e cinco mil imóveis ativos para aluguel por temporada, com crescimento de dezoito por cento em um ano (dados de março de 2025, Secovi-Rio).
  • O turismo internacional segue em alta: no primeiro trimestre de 2026 foram recebidos 884,5 mil visitantes, alta de dezenove por cento em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Embratur.
  • Casos como o de Mariana Martins mostram a profissionalização do setor: proprietários contratam gestão, limpeza e manutenção para gerenciar muitos imóveis de curto prazo.
  • A expansão cria uma cadeia de serviços e impactos locais, como maior demanda por restaurantes, lojas e transporte nas regiões onde há concentração de anúncios, principalmente Copacabana, Ipanema e Leblon.
  • O mercado gera tensões: queda na oferta de aluguel tradicional e aumento de preços; há debates sobre regras, com decisões do STJ e propostas de regulamentação municipal ainda em tramitação.

O crescimento dos aluguéis de curta duração no Rio de Janeiro ganhou força com o turismo internacional em alta. Mariana Martins contou como migrou da confeitaria para a gestão de imóveis e hoje administra 30 apartamentos entre o Porto Maravilha e a zona sul, após iniciar em 2024 em Santo Cristo.

A experiência da proprietária revela uma mudança no mercado: a locação por temporada deixou de ser renda extra para exigir estrutura própria. Profissionais de gestão, limpeza e manutenção passaram a compor uma cadeia de serviços que sustenta esse segmento.

Dados oficiais mostram o alcance do fenômeno. O Rio registra 25 mil imóveis ativos para temporada, alta de 18% em um ano, conforme levantamento do Secovi-Rio de março de 2025. A cidade recebeu 884,5 mil turistas internacionais no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 19%.

Expansão e cadeia de serviços

Copacabana lidera em anúncios, com 7.760 imóveis, seguida por Ipanema (2.231) e Leblon (1.216). A diária média em Ipanema chega a R$ 1.042. A cidade mantém maior rentabilidade por imóvel em comparação ao São Paulo, devido à demanda de lazer com presencia internacional ao longo do ano.

Essa expansão criou uma rede de prestadores de serviço. Administradoras coordenam operações, empresas de limpeza atuam a cada troca, lavanderias cuidam de roupas de cama e equipes de manutenção resolvem imprevistos entre reservas. Segundo proprietários, há aumento de comércio local e de serviços de transporte na região.

Impactos no mercado e no entorno

Especialistas apontam que imóveis menores não têm margem para reduzir tarifas na baixa temporada, ao passo que unidades maiores conseguem ajustar preços. O impacto no valor do aluguel tradicional é citado como fator adicional para a escassez de ofertas em áreas como Copacabana.

Para o Secovi-Rio, o crescimento não se explica apenas pelo Airbnb. O desequilíbrio entre oferta e demanda, somado a juros altos, contribui para a elevação dos aluguéis. Moderar a expansão exige dados consistentes e cautela com regulamentos.

A discussão regulatória já envolve o STJ e a Câmara: o STJ exigiu autorização assemblear por dois terços dos condôminos para locações em condomínios. Já o projeto 372/2025 tramita na Câmara e prevê cadastro de hóspedes e proprietários, sem exigência de alvará. A votação está prevista para 2026.

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