- A Rivian mostrou que seu caminho não tem sido fácil: prejuízo de 3,6 bilhões de dólares em 2025 e cerca de 25 bilhões de dólares gastos nos últimos oito anos, com venda de 175 mil R1 desde 2021.
- Volkswagen investe até 5,8 bilhões de dólares para co-desenvolver software e arquitetura elétrica com a Rivian.
- Uber anunciou investimento de até 1,25 bilhão de dólares para apoiar até 50 mil robotáxis totalmente autônomos.
- O R2 é central para o futuro: a Rivian opera verticalmente com software, silício e componentes internos, e admite reconfigurar o negócio se o R2 não sair como planejado.
- A produção do R2 deve começar no fim de 2028 na planta da Geórgia, com capacidade inicial de 300 mil veículos por ano, e expansão para outras variantes e para a Europa.
RJ Scaringe, CEO da Rivian, falou em entrevista sobre o papel da empresa no cenário de veículos elétricos, o futuro do R2 e os impactos de eventuais fracas. A conversa abordou custos, estratégia de produção e competição com chineses, além de decisões de design e tecnologia.
A Rivian acumula prejuízos expressivos: 3,6 bilhões de dólares em 2025, e quase 25 bilhões desde 2018. Nos oito anos, gastou mais do que quase todo o setor de EVs. O IPO de 2021 valorizou a empresa acima de 100 bilhões, mas as ações recuaram para patamar próximo de 16.
A empresa fechou acordos relevantes. Em 2024, a VW Group investiu até 5,8 bilhões de dólares para desenvolver software e arquitetura elétrica em parceria. Ainda neste ano, a Uber anunciou aporte de até 1,25 bilhão para até 50 mil robôs-táxi autônomos.
Perspectivas sobre o R2
Scaringe afirma que o R2 precisa funcionar em grande escala, não apenas vender. Ele detalha que a Rivian desenvolve software, silício e componentes internamente, incluindo motores, caixas de câmbio e eletrônica. O objetivo é sustentar um volume maior que 50 mil unidades anuais.
O plano inclui expansão de produção na fábrica de Illinois, com 155 mil unidades de capacidade, e a construção de uma planta na Geórgia com fases. A primeira fase passou a atender 300 mil unidades, abrindo espaço para variantes futuras e expansão europeia.
Autonomia, interface e hardware próprio
Questionado sobre a autonomia, Scaringe descreve um caminho em etapas. O R2 receberá um sistema intermediário mais capaz que o R1, com um salto para uma geração 3 com silício próprio, dois chips fortes e sensores adicionais. A meta é chegar a condução sem supervisão em níveis altos no futuro, mas o R2 não oferece esse nível de autonomia.
Sobre o interior, o executivo destaca o uso de botões e um design com rodas táteis chamadas Halo Wheels, que fornecem feedback. A Rivian aposta em uma combinação de multitoque e interações mecânicas para manter a usabilidade.
Mercado, custos e competição
A Rivian admite competir com fabricantes chineses na Europa, com a Volkswagen como parceiro para modelos de baixo custo. O objetivo é enfrentar BYD e outras marcas globais com tecnologia ocidental. Scaringe reconhece vantagem de custo no Ocidente, destacando a importância de recursos tecnológicos na disputa.
Quanto aos preços de recursos autônomos, a Rivian cobra 2,5 mil dólares por funcionalidades de condução autônoma. O executivo aponta que, conforme a competição amadurece, esse valor pode cair, mas a tecnologia deve se tornar parte do preço de compra.
Rumo ao futuro da Rivian
Questionado sobre o R3, Scaringe aponta que ele virá após o R2, com foco na rampagem de produção. A empresa planeja iniciar a produção de R2 no fim de 2028, com 300 mil unidades anuais na fase inicial da planta da Geórgia.
Entre na conversa da comunidade