- O Airbnb tem mais de 76 mil anfitriões com 60 anos ou mais no Brasil em 2025, com alta de 155% desde 2020.
- Pessoas nessa faixa etária usam o aluguel de curta duração para complementar a renda, com exemplos como Luiz Claudio Freitas Lemos, 63, no Rio, e Orlando dos Santos Filho, 75, em Copan.
- O grupo de 60+ no Brasil deve chegar a 35,4 milhões em 2025, segundo projeções do IBGE, com extensão da internet e uso de celulares nessa faixa etária.
- Especialistas dizem que o envelhecimento, a familiaridade com tecnologia e a disponibilidade de imóveis ajudam a entender o crescimento das famílias nessa prática.
- Há debate sobre o tema: decisão do STJ exige aval de dois terços dos condôminos para locação por temporada; anfitriões dizem adotar regras para convivência e segurança.
O uso do Airbnb por brasileiros com mais de 60 anos cresce com força, ampliando a renda de aposentados. Dados da plataforma indicam que o Brasil já soma mais de 76 mil anfitriões nessa faixa etária em 2025, com alta de 155% desde 2020. O movimento acompanha o envelhecimento populacional do país.
A despeito da idade, muitos usuários maiores recebem imóveis próprios ou herdados para aluguel de curta duração. Em São Paulo, o edifício Copan figura entre os casos mais emblemáticos, com moradores que administram estúdios voltados ao serviço, alguns contando com gestão terceirizada para a locação.
No Rio de Janeiro, moradores relatam dependência dessa renda adicional para enfrentar perdas salariais e aumentar a despesa com saúde à medida que envelhecem. Estudos da própria Airbnb apontam que o contingente de anfitriões acima de 60 cresce rapidamente no Brasil.
De 2020 a 2025, o número de idosos com mais de 60 anos no Brasil aumentou 18% segundo projeções do IBGE, chegando a 35,4 milhões. Analistas destacam que o fenômeno não se explica apenas pelo envelhecimento, mas também pela afinidade com tecnologia e pela busca por novas fontes de renda.
Especialistas apontam que esse grupo, já familiarizado com plataformas digitais, investe em imóveis próprios ou de familiares como forma de complementar a aposentadoria. A prática é vista como parte de uma tendência maior de maior participação tecnológica entre idosos.
Contudo, o tema divide opiniões: críticos questionam a convivência em condomínios sem regras claras, enquanto defensores ressaltam o papel do aluguel rápido para democratizar o turismo e ampliar renda. Em maio, o STJ definiu que o aval de dois terços dos condôminos é necessário para locação em condomínios.
Anfitriões ouvidos afirmam adotar regras de convivência, como exigir documentação de hóspedes e compartilhar informações com a administração do prédio. Em casos como Copan, alguns investidores recorrem a empresas de gestão para reduzir a própria carga de trabalho.
Casos de imóveis herdados ou adquiridos ao longo de carreira aparecem como exemplos de como a renda de temporada pode ampliar a segurança financeira de pessoas na faixa dos 60 anos ou mais. Entrevistados destacam que a renda acumulada por meio de locação contribui para manter propriedades e custeios.
A plataforma reafirmou que o crescimento entre idosos não implica em uma proibição automática da prática e ressaltou que as regras variam conforme a lei local e o condomínio. A discussão pública sobre regulamentação continua em cidades brasileiras, com diferentes abordagens em curso.
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