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Liminares em coberturas sem benefício claro ao paciente

Liminares cobrem terapias sem benefício clínico, pressionando custos; aposta em acordos de compartilhamento de risco e melhoria da incorporação tecnológica

Entrevista com Paulo Moll, CEO da Rede D'Or São Luiz
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  • A escalada de custos na saúde, com terapias caras, aumenta pressão sobre operadoras e usuários de planos de saúde, motivando ações judiciais para acesso a tratamentos sem benefício claro.
  • Paulo Moll, CEO da Rede D’Or São Luiz, defende aprimorar o processo de incorporação de novas tecnologias e ampliar acordos de compartilhamento de risco entre planos de saúde e indústria farmacêutica.
  • Faltam integração e interoperabilidade de dados, o que gera desperdício — por exemplo, exames não disponíveis no atendimento atual levam a repetição de tomografias e novo uso de radiação. A inteligência artificial pode tornar o atendimento mais eficiente ao trazer informações relevantes na hora.
  • Mesmo com limitações legais, há judicialização expressiva, com liminares cobrindo tratamentos que nem sempre trazem benefício ao paciente, o que aumenta o desperdício de recursos.
  • Propõe-se um arcabouço único de incorporação tecnológica para público e privado, além de permitir que acordos de compartilhamento de risco do SUS também atendam à saúde suplementar, reduzindo o custo e promovendo acesso mais eficiente.

A alta nos custos da saúde e a judicialização de terapias de alto custo ganharam a atenção do setor. Em evento promovido pelo Estadão, Paulo Moll, CEO da Rede D’Or São Luiz, destacou a necessidade de aprimorar a incorporação de tecnologias e ampliar acordos de compartilhamento de risco entre planos de saúde e farmacêuticas. O objetivo é reduzir desperdícios e ampliar acessos com eficácia comprovada.

Moll participou do segundo encontro do Brasil Adiante, ocorrido na quinta-feira, 11, em São Paulo. Além dele, estiveram no painel o economista Arminio Fraga e o sanitarista Gonzalo Vecina. O debate abriu a agenda para propostas que serão apresentadas à próxima gestão federal.

Integração de dados e uso da IA

O executivo enfatizou a importância da integração de dados entre instituições. Segundo ele, a organização de dados e a interoperabilidade permitem entender o perfil do paciente e o plano de cuidado, com potencial revolucionário da IA na ponta do atendimento.

Exemplo de desperdícios

Ele citou dificuldades de acesso a exames já realizados, como tomografias, que nem sempre constam no prontuário no momento do atendimento. Sem esse histórico, há duplicação de exames e exposição desnecessária a radiação, reiterando que a IA pode reduzir deslocamentos desnecessários aos pacientes.

Incorporação tecnológica e custo

Moll disse que o Brasil precisa de um arcabouço único de incorporação tecnológica para SUS e saúde suplementar. Hoje, há divergências entre Conitec, ANS, Anvisa e a Justiça, o que favorece liminares que cobrem tratamentos sem benefício claro ao paciente.

Propostas para acordos de risco

Sobre o financiamento de medicamentos, o CEO apontou a necessidade de acordos de compartilhamento de risco com o setor farmacêutico. O modelo permitiria o pagamento condicionado à eficácia do tratamento, estendendo benefícios para pacientes do SUS e da saúde suplementar.

Caminho para a saúde suplementar

Questionado sobre a fragmentação do sistema de planos, Moll sugeriu que o setor privado tenha acesso aos mesmos acordos de compartilhamento de risco do SUS, com ressarcimento ou pagamento direto à indústria, de modo a beneficiar toda a população.

Medida prioritária para o governo

Entre as medidas, ele defende um novo arcabouço de incorporação tecnológica que abranja tanto o governo quanto o setor privado. O objetivo é acompanhar o pipeline de inovações e evitar gargalos financeiros no sistema brasileiro.

A entrevista completa, concedida após o evento, reforça a visão de que dados integrados, uso da IA e acordos de risco são caminhos estratégicos para equilíbrio financeiro e acesso mais amplo a terapias no Brasil. Fontes: Estadão.

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