- A alta de preços desde a Copa de 2022 atinge itens para torcer: pipoca subiu 20%, cerveja 19% e a cesta de compras avança cerca de 12%.
- Na grelha, o frango subiu 18%, o pão de alho 15% e a carne bovina 9%; a linguiça não ficou mais cara.
- Entre os petiscos, salsicha enlatada avançou 26%, chips 21%, pipoca de micro-ondas 20%, lanches prontos 19% e amendoim 17%.
- As estimativas foram feitas pela Scanntech, a pedido da BBC News Brasil, com base em cupons fiscais de três em cada quatro estabelecimentos do varejo.
- A expectativa é de mudança na cesta de compras para a Copa, com maior consumo de frango em vez de carne bovina, influenciado por preço, saúde e logística que impacta preços.
Desde a Copa do Mundo de 2022, itens usados em reuniões para torcer pela Seleção brasileira tiveram alta acima da inflação. Segundo levantamento da Scanntech, a pipoca subiu 20% e a cerveja 19% no período.
Entre os alimentos vendidos para churrasco, a linguiça ficou estável, mas o frango avançou 18%, o pão de alho 15% e a carne bovina 9%. O conjunto mostra elevação generalizada na cesta de consumo relacionada aos jogos.
Na bebida, a cerveja teve alta expressiva desde 2022, e refrigerantes e sucos acompanharam com aumentos de 30% e 32%, respectivamente. Petiscos como chips registraram alta de 21%.
Itens populares em pacotes passaram pelo mesmo ritmo: salsicha enlatada subiu 26%, pipoca de micro-ondas 20%, lanches prontos 19% e amendoim 17%. Os valores são estimativas calculadas a partir de cupons fiscais.
As informações são de uma análise encomendada pela BBC News Brasil à Scanntech, que reúne dados de cupons de mercados de vários portes pelo país. A empresa não divulga preços médios por item.
Segundo a Scanntech, os aumentos variam conforme região, rede, marca e, no caso da carne, o corte adquirido. O objetivo foi fornecer uma leitura aproximada dos impactos na cesta de consumo.
A Scanntech aponta que, apesar da alta, não há previsão de queda no consumo voltado para a Copa, pois os jogos costumam acontecer à noite neste ano, favorecendo encontros após o expediente.
Ainda assim, a empresa espera mudança na composição da cesta de compras. A aposta é de maior uso de frango em churrascos, em vez de carne bovina, por custo menor e benefício de saúde.
A direção alerta que o frango, apesar de alta, mantém preço relativo mais baixo e tende a ganhar participação diante do endividamento familiar. O perfil de proteína vegetal também influencia escolhas.
Para o economista André Braz, o aumento de preços reflete variações de demanda e oferta. Em especial, a alta da carne bovina entra em cadeia de fatores como exportações aquecidas.
O Brasil bateu recorde de exportação de carne in natura, com 3,50 milhões de toneladas em 2025 e US$ 18,03 bilhões movimentados, segundo a Abiec. O desempenho impacta a oferta interna.
Além da demanda, a logística é apontada como fator-chave. Custos com embalagens, transporte e insumos como alumínio, vidro e plástico elevam os reajustes acima da inflação.
Entre na conversa da comunidade