- SpaceX realizou a maior saída à bolsa da história, levantando cerca de US$ 75 bilhões, quase triplicando o recorde anterior.
- Além do tamanho, a operação marca o começo de um “tsunami” de debutos em 2026, com Anthropic e OpenAI também mirando o mercado, cada uma buscando dezenas de bilhões de dólares.
- Goldman Sachs estima que as ofertas públicas de venda nos Estados Unidos somem cerca de US$ 216 bilhões neste ano, quase o dobro do recorde de 2021.
- Analistas destacam riscos de liquidez e volatilidade, principalmente por blocos de acionistas com restrições de venda e pela possível rotação de liderança no setor de IA.
- Empresas cotadas e fundos de índices devem sentir impacto na composição de índices de referência, com SpaceX entrando no clube das maiores empresas globais e influenciando o peso de tecnologia nos benchmarks.
Elon Musk marcou a maior saída à bolsa da história nesta sexta-feira, com a SpaceX levantando cerca de 75 bilhões de dólares, aproximadamente 65 bilhões de euros. O anúncio supera o recorde anterior, atribuído à Aramco em 2019. A operação sinaliza o começo de uma nova onda de ofertas em 2026, fortemente ligada ao setor de inteligência artificial.
A SpaceX já se associou à xAI, empresa de IA de Musk, após a fusão anunciada. Além da gigante espacial, as fabricantes de IA Anthropic e OpenAI também planejam entrar no mercado de capitais, com expectativas de captar somas significativas. Os folhetos informativos foram apresentados confidencialmente, ainda sem dados oficiais finalizados.
Segundo o Goldman Sachs, o ano pode registrar entre 216 mil e 225 mil milhões de dólares em IPOs nos EUA, impulsionado por empresas de IA. A projeção indica quase o dobro do volume registrado em 2021, quando o montante atingiu cerca de 115 mil milhões de dólares. SpaceX, Anthropic e OpenAI podem já ultrapassar esse patamar.
Analistas apontam que o mercado enfrenta incertezas sobre a demanda por ações vinculadas à IA, diante de recentes quedas em setores de tecnologia. Observa-se volatilidade, especialmente em torno de períodos de bloqueio para venda de ações por investidores iniciais. A conjuntura sugere maior cuidado na entrada de novos papéis.
Vontobel alertou que a oferta e a demanda de ações pode exigir ajuste, enquanto a visão da BCA Research indica que a maior rotação de liderança em IA é um risco para o desempenho relativo das empresas emergentes. O debate destaca a possibilidade de mudanças rápidas no cenário de favoritos da tecnologia.
Deutsche Bank ressaltou a necessidade de avaliação de como o mercado precificará a OpenAI e seus concorrentes ao divulgar seus resultados. Até o momento, SpaceX já apresentou resultados negativos no primeiro trimestre, enquanto Anthropic trabalha para fechar o trimestre com lucro, conforme apurações dos veículos de imprensa.
Fatores de longo prazo ganham relevância na análise de investidores: a convergência entre valores privados e públicos, bem como a seletividade ampliada no mercado. Especialistas indicam que o investimento em IA envolve horizontes mais longos, com monitoramento contínuo de fundamentos.
Quem investe em fundos que acompanham índices deve observar a inclusão de SpaceX. A empresa pode entrar em índices relevantes como Nasdaq 100, influenciando a composição de portfólios e estratégias de rebalanceamento. A entrada pode exigir ajustes nas carteiras de fundos passivos.
O cenário atual impõe aos gestores a necessidade de entender os modelos de negócio das emergentes de IA, além de acompanhar a evolução de valores de mercado, fluxo de caixa e rentabilidade futura. O mercado demanda cautela, planejamento e acompanhamento estreito dos resultados.
Como consequência, a ampliação do universo de IA pode transformar a composição de índices e o peso de setores tecnológicos. A cada nova entrada, as regras de elegibilidade e os critérios de flotação passam por avaliação, influenciando decisões de investimento de longo prazo.
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