- A América Latina e o Caribe respondem por 8% da população mundial e quase 16% das exportações agrícolas, com produtos como abacate, carne bovina, café e salmão presentes globalmente.
- O setor gera 1 em cada 6 empregos na região e representa 6% do PIB, sustentando comunidades rurais e contribuindo para o crescimento econômico.
- Estudo recente aponta estagnação da produtividade nos últimos anos, com crescimento cada vez mais dependente do aumento do uso de terra, água e fertilizantes, e esgotamento do capital natural.
- Progresso tecnológico continua sendo o principal motor de produtividade; Brasil e Chile apresentam avanços sustentados, enquanto na Argentina há potencial para duplicar a produção com recursos atuais, e pequenos produtores enfrentam barreiras de acesso a assistência técnica, crédito e informação.
- Políticas públicas eficazes, foco em bens públicos e adaptação local da tecnologia elevam a produtividade; exemplos: Bolívia teve aumento de 92% no valor bruto da produção por hectare e 36% de rendimento familiar, e Peru registrou ganho superior a 15% com gestão de pragas e treinamento.
O boom agrícola da América Latina e o Caribe é posto à prova. A estagnação da produtividade e o uso intensivo de recursos naturais ameaçam a competitividade do setor, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A investigação analisa tendências desde 1960 e mostra que o crescimento passou a depender menos de ganhos de eficiência e mais de insumos como terra, água e fertilizantes. O impacto recai sobre a sustentabilidade ambiental e a pobreza rural.
Entre 2010 e 2020, apenas 40% do crescimento da produção veio de ganhos de produtividade total dos fatores, enquanto 60% foi impulsionado pelo uso de recursos. Desmatamento e degradação do solo aparecem como consequências.
O estudo alerta que, se a produtividade permanecer estagnada, a região pode perder competitividade e enfrentar maiores riscos para a segurança alimentar local e global. A adoção de tecnologia surge como principal motor de melhoria.
Tecnologia, gestão, mecanização e irrigação são apontados como caminhos. Países como Brasil e Chile mostraram ganhos mais estáveis quando investem em inovação agrícola e capacidades institucionais.
Casos como a Argentina, onde produtores poderiam dobrar a produção com recursos existentes, destacam o papel de assistência técnica, crédito e acesso à informação. Pequenos produtores enfrentam maiores entraves.
A pesquisa defende que a transformação depende de políticas públicas bem calibradas. Investimentos em pesquisa, infraestrutura e dados, em vez de subsídios de preços, ajudam a elevar a produtividade a longo prazo.
Além disso, o estudo cita resultados regionais: na Bolívia, adoção tecnológica aumentou produção por hectare em 92% e elevou rendimentos familiares; no Peru, gestão de pragas com treinamento elevou produtividade em mais de 15%.
O resultado esperado é maior atenção a capital humano e capacidades institucionais. Com isso, a agricultura pode continuar a sustentar a prosperidade rural e a segurança alimentar sem comprometer o meio ambiente.
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