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Brasileiros recorrem a apostas para pagar contas, endividamento cresce

Apostas online viram saída rápida para quem aperta o orçamento; 268 mil famílias entram em inadimplência severa e 35% dos apostadores paulistanos usam bets para aumentar renda

Estudo revela que acesso excessivo às apostas online tem pressionado o orçamento da população e levou 268 mil famílias à inadimplência severa
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  • Estudo aponta que 268 mil famílias enfrentaram inadimplência severa em meio ao uso de bets para complementar a renda.
  • Em São Paulo, 35% dos apostadores usaram plataformas online para aumentar a renda doméstica, alta de 10 pontos percentuais desde 2024.
  • A participação é maior entre quem ganha até dois salários mínimos (40%); cai para 30% entre dois e cinco salários e chega a 29% entre cinco e dez salários.
  • Em 2024, 76% apostadores gastavam até R$ 200 por mês; em 2026 esse contingente subiu para 82%, e a parcela que gasta mais de R$ 500 subiu de 8% para 10%.
  • Fecomércio-SP aponta que apostas, com acesso facilitado pelas redes sociais e pelo Pix, competem com consumo, alimentação e poupança, drenando recursos da economia do city.

As apostas online ganharam espaço no orçamento de milhões de brasileiros, especialmente em momentos de aperto financeiro. Parte da população recorre às bets para complementar a renda e pagar contas, transformando uma atividade de alto risco em estratégia de sobrevivência financeira.

Pesquisa da Fecomercio-SP aponta que, em maio, 35% dos apostadores paulistas utilizavam plataformas para aumentar a renda doméstica de forma rápida. O levantamento ouviu 600 apostadores, representando um salto de 10 pontos percentuais desde 2024.

O estudo mostra ainda que 80,6% da população tinha alguma dívida em abril, recorde histórico. O endividamento é mais intenso entre quem recebe menos, acentuando a vulnerabilidade financeira.

Desdobramentos por renda

Entre quem ganha até dois salários mínimos, 40% recorrem às bets para elevar o orçamento. Na faixa de 2 a 5 salários, são 30%; de 5 a 10 salários, 29%. Esses números destacam o peso das apostas nas camadas de menor renda.

Segundo a Hibou, desde agosto do ano passado houve um movimento de apostadores buscando as bets para solucionar problemas do orçamento. A CEO Lígia Mello descreve casos em que pessoas apostam valores baixos para quitar dívidas iminentes.

Impacto econômico e comportamental

Em 2024, 76% dos apostadores gastavam até R$ 200 mensais; hoje são 82%. A partir de R$ 500 mensais, a participação cresceu de 8% para 10%. O acesso facilita o consumo via plataformas ligadas às redes sociais e ao Pix.

Dados da Fecomercio-SP indicam ainda que, no ano passado, as apostas online drenaram R$ 20,7 bilhões da economia de São Paulo, equivalentemente a 4% do faturamento do varejo na cidade, com impactos fortes em construção, supermercados e farmácias.

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