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Economista americano diz que o mundo demora a perceber que o Brasil mudou

Economista americano afirma que o Brasil não volta à hiperinflação nem às crises de dívida, com crescimento moderado e ganhos de IA ainda pontuais

Tyler Cowen, economista norte-americano, participou de evento em São Paulo.
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  • O economista americano Tyler Cowen esteve em São Paulo e afirmou que o Brasil já não enfrenta hiperinflação nem crises de dívida associadas ao petróleo, destacando o controle do próprio futuro energético como vantagem.
  • Cowen diz que o Brasil não deve crescer a taxas altas, mas pode ter melhor desempenho evitando recessões do passado; o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2023, segundo o IBGE.
  • Ele cita a ideia de atrair imigrantes talentosos para compensar a queda da natalidade, destacando avanços do governo em tributação e na lei de falências, mas aponta que ainda há regulação pesada e um sistema jurídico não previsível.
  • Sobre inteligência artificial, afirma que ganhos de produtividade têm sido baixos até agora, mas considera a IA uma revolução que chegará no futuro próximo, com adoção desigual entre empresas, universidades e bancos.
  • Em relação a Donald Trump, critica as tarifas como erro e ressalta que a IA não deve ser excessivamente regulada; conclui que o capitalismo, com serviços públicos adequados, tem contribuído para reduzir a pobreza mundial.

Tyler Cowen, economista norte-americano, concedeu entrevista em São Paulo na semana passada durante evento do Fronteiras do Pensamento. O tema foi a realidade brasileira, a IA e as relações com os EUA, com respostas diretas sobre o cenário econômico.

Cowen entende que o Brasil controla seu futuro energético e não deve mais enfrentar crises de dívida associadas ao petróleo. O analista aponta a queda da hiperinflação e ressalta que o mundo ainda não assimilou essa mudança estrutural. Assim, vê duas grandes vantagens para o país.

O economista entende que o Brasil não deve crescer em altas taxas. Mesmo assim, aponta que evitar recessões históricas tende a gerar ganhos ao longo do tempo. O PIB do país cresceu 1,1% no primeiro trimestre, segundo o IBGE, dado considerado pelos especialistas como um dos mais fortes do ano.

Imigrantes talentosos e IA

Cowen sugere que o Brasil pode buscar imigrantes talentosos para compensar a baixa natalidade, desde que adote mais dinamismo regulatório e jurídico previsível. Observa avanços no sistema tributário e na lei de falências, mas aponta entraves na regulação.

Sobre inteligência artificial, o economista destaca que ganhos de produtividade parecem ainda limitados e que a tecnologia não está disseminada em larga escala. Ele afirma que a IA é uma revolução prevista para o futuro, com efeitos mais visíveis em setores específicos do que na economia como um todo.

Trump, comércio e capitalismo

A entrevista também abordou o peso de Donald Trump na política econômica norte-americana. Cowen critica as tarifas como erro e acredita que pressionar outros países é prejudicial. Sobre IA, o economista cita que grandes instituições ainda enfrentam travas para adoção ampla.

No debate sobre o capitalismo, Cowen aponta que parte da pobreza extrema mundial já foi eliminada, mas depende de governos provendo serviços básicos. Com isso, ele sustenta que o aumento da eficiência empresarial pode sustentar o progresso econômico, desde que haja investimento público adequado.

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