- Em 2026, proprietários estrangeiros responderam por cerca de 18% dos compradores de estúdio no Rio, frente a 2% há três anos.
- A Lobie afirma ter cerca de oito mil estúdios no Rio em seu portfólio, incluindo unidades em construção, com participação de estrangeiros aumentando nos últimos meses.
- O aluguel de curta duração, via plataformas como Airbnb, ganhou impulso com a retomada do turismo no Rio após a pandemia.
- A Câmara Municipal debate regulamentar o aluguel por temporada; o STJ decidiu que imóveis em condomínios podem ser usados para locação de curta duração apenas com autorização de pelo menos dois terços dos condôminos.
- O tema gera posições divergentes: defensores veem benefício para o turismo e inclusão de renda; críticos apontam pressões nos preços de locação e riscos à convivência e à segurança em condomínios.
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro registra atuação crescente de compradores estrangeiros em estúdios, unidades de cerca de 30 m², apontam empresas do setor. A demanda por aluguel de curta duração impulsiona esse movimento, especialmente em meio ao boom do turismo.
Segundo a Lobie, gestora de imóveis de temporada, o Rio tem hoje 8.000 estúdios em seu portfólio, incluindo projetos em construção e já em operação. A participação de proprietários estrangeiros subiu para 18% em 2026, ante 2% há três anos.
A presença internacional abrange europeus, latino-americanos, investidores dos Estados Unidos e também clientes dos Emirados Árabes Unidos. A empresa cita que a taxa de câmbio favorece alguns estrangeiros, com o dólar próximo a R$ 5.
Entre novembro de 2024 e junho de 2025, a proporção de estrangeiros em vendas de estúdios da RJDI era de 1 a cada 8 clientes (cerca de 13%). De julho de 2025 a fevereiro de 2026, subiu para 1 a cada 6 (aproximadamente 17%).
O aluguel de curta duração não se restringe a estúdios: condomínios com unidades maiores também oferecem opções de temporada. Defensores veem nas plataformas de aluguel uma forma de ampliar o acesso ao turismo e atender picos de demanda.
Regulação e impactos
A Câmara Municipal do Rio discute, desde o ano anterior, regras para o aluguel de curta temporada. Críticos apontam que a prática pode pressionar os preços da locação tradicional em bairros turísticos, como Copacabana e Ipanema, e gerenciar riscos de sossego e segurança em condomínios.
O Airbnb afirmou que a segurança é prioridade e que 99,9% das reservas ocorrem sem incidentes. A plataforma destacou ferramentas para proteção de hóspedes, anfitriões, vizinhos e condomínios.
O STJ decidiu, em maio, que locações de curta duração em condomínios dependem de autorização de pelo menos dois terços dos condôminos. A empresa ressalta tratar-se de caso específico, não de regra definitiva.
Profissionais locais defendem autorregulação, com regras definidas pelos próprios condomínios. Horácio Magalhães, da Sociedade Amigos de Copacabana, ressaltou que o equilíbrio entre interesses de moradores e proprietários é fundamental.
O fenômeno dos estúdios não ocorre apenas no Rio. Dados da Urban Systems indicam que São Paulo teve 50,1 mil lançamentos nesse formato entre 2020 e 2025, contra 7.410 no Rio, sinalizando tendência nacional associada ao turismo e a mudanças na estrutura familiar.
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