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Hormuz fechado há 100 dias; por que o petróleo não subiu?

Bloqueio de Hormuz há mais de cem dias não elevou o Brent; estoques estratégicos seguram o mercado, apesar de incertezas sobre fluxos futuros

Photo Illustration: NADIA MÈNDEZ; GETTY IMAGES
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  • O Estreito de Ormuz está fechado há mais de 100 dias, e Donald Trump afirmou que uma missão secreta moveu 100 milhões de barris pelo estreito; número não verificado.
  • O setor enfrenta o que chamam de “comércio escuro”: navios operando sem transponder AIS, à noite, perto da fronteira com Omã.
  • Mesmo com o fechamento, o Brent caiu para $87,55 por barril, influenciado por estoques e disponibilidade de suprimentos em várias regiões.
  • Países como China, Estados Unidos, Brasil e Canadá passaram a suprir parte da demanda, com grandes estoques ainda disponíveis.
  • Estima-se que a retomada total das operações possa levar semanas a meses, com o UAE e outras entidades projetando retornos graduais entre 2026 e 2027, dependendo das condições.

O Estreito de Hormuz permanece fechado há mais de 100 dias, prejudicando o fluxo global de petróleo. A afirmação de que uma missão secreta conduziu 100 milhões de barris pelo canal não pôde ser verificada de forma independente. A indústria continua debatendo quanto petróleo realmente transita pela rota.

Analistas apontam a dificuldade de medir o tráfego, em razão de navios operando sem transponders e de rotas noturnas mais próximas da fronteira com Omã. Observações apontam que alguns tipos de crude podem ter origens limitadas a campos específicos, o que ajuda a rastrear parte do carregamento, ainda que o tamanho total permaneça incerto.

O bloqueio vem num cenário de grande interrupção de suprimentos. Dados da OMC indicam redução de 95% nas remessas de crude a partir de portos do Golfo e queda de 99% em embarcações de gás natural liquefeito. A IEA descreveu o evento como a maior quebra de oferta já registrada no mercado global.

Impactos no mercado

Apesar da gravidade, o preço do Brent permanece estável próximo de US$ 87 por barril, nível não visto desde antes do conflito. A explicação aponta para estoques estratégicos e buffers de demanda, como grandes estoques de China’s que vêm sendo usados gradualmente para cobrir parte da demanda.

China mantém estoques em nível elevado, com saídas diárias em torno de 1 milhão de barris, enquanto a demanda interna fica em patamar próximo de 7 milhões de barris por dia nos últimos meses. EUA, Brasil e Canadá também têm contribuído para mitigação parcial da ausência de suprimento.

Analistas destacam que o mercado reagiu relativamente bem, com parte da demanda sendo ajustada e estoques entrando no mercado. Entretanto, especialistas alertam que os estoques operacionais estão atingindo níveis críticos e que a situação pode exigir ajustes adicionais na produção.

Perspectivas de retomada

Estimativas sobre o retorno de suprimentos variam amplamente. O mercado já considera cenários de recuperação entre 10 semanas e vários meses, dependendo de condições técnicas e políticas. Autoridades e analistas destacam que danos a instalações podem prolongar o atraso para além de dois anos em alguns casos.

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