- Em janeiro, a Softstar Shoes, em Oregon, passou a ser de propriedade dos 30 funcionários, com a ex-proprietária Tricia Salcido atuando como diretora financeira nos próximos anos.
- Salcido diz que a mudança visa preservar empregos locais e evitar que a produção artesanal saia dos EUA.
- A empresa usa um Employee Ownership Trust (EOT), em que uma trust detém a empresa em nome dos funcionários, que recebem participação nos lucros futuros e não precisam pagar pela compra.
- Outros modelos citados são o Employee Stock Ownership Plan (ESOP) e cooperativas de trabalhadores; o ESOP é o mais comum nos EUA, com milhares de empresas sob esse formato.
- A notícia federal destaca que a transição de empresas para os funcionários ganha força nos EUA, com estimativas de que cerca de seis milhões de pequenas e médias empresas se aposentem até 2035, estimulando incentivos governamentais para facilitar as transferências.
Softstar Shoes, fábrica de calçados artesanal em Oregon, passou a ser de propriedade de 30 funcionários após a decisão da antiga dona vender a equipe em janeiro. Tricia Salcido, então única proprietária e CEO, planeja se aposentar e transferiu a empresa aos trabalhadores. Ela continua como diretora financeira por alguns anos.
Os funcionários assumem a gestão e passam a contribuir com ideias para o funcionamento do negócio. Salcido relata receber mensagens de colegas com sugestões de melhoria, sinal de envolvimento contínuo da equipe. Essa participação ampliada é um reflexo de modelos de transferência de propriedade cada vez mais usados nos EUA.
A mudança ocorre em meio a um movimento de aposentadoria em massa de pequenas e médias empresas. Estima-se que até seis milhões de empresários americanos com mais idade devem se aposentar até 2035, podendo ocorrer transferências para funcionários, segundo McKinsey. O cenário tem sido descrito como uma “onda geracional”.
Para facilitar a transição, a Softstar adotou um Employee Ownership Trust (EOT). Por meio do trust, a propriedade fica sob guarda dos funcionários, que passam a receber parte dos lucros futuros, enquanto a ex-proprietária recebe o preço acordado em parcelas. O risco para Salcido é manter a viabilidade do negócio para que o pagamento seja confirmado.
Outros casos ilustram caminhos diferentes. Em Stockwell Elastomerics, de Filadélfia, o fundador optou pelo Employee Stock Ownership Plan (ESOP), com ações recebidas pelos trabalhadores que podem ser trocadas por dinheiro apenas quando saem da empresa. O financiador do negócio também aguarda recebimentos parcelados pelo tempo.
Dados de 2023 indicam que mais de 6,6 mil empresas nos EUA tinham ESOP, empregando cerca de 11 milhões de pessoas e somando ativos superiores a 2 trilhões de dólares. Em geral, o ESOP é o formato mais difundido de transição para os trabalhadores.
Segundo especialistas, a adesão a modelos de propriedade conjunta não se restringe a empresas mais velhas. Empregados mais jovens também veem vantagens em estruturas que democratizam a participação no capital. Ainda assim, a complexidade administrativa e o tempo de pagamento podem desestimular alguns empresários.
Há ainda propostas públicas para tornar a transição mais simples. O governo dos EUA lançou iniciativas para incentivar a propriedade pelos funcionários, com apoio bipartidário no Congresso. O objetivo é ampliar opções e tornar mais realista a venda para a equipe.
Pedidos de planejamento precoce aparecem como chave. Especialistas alertam que iniciar o processo perto da aposentadoria pode levar anos. A visão de manter empregos locais e preservar a produção nos EUA também pesa na decisão de muitos empresários.
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