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Por que a economia dos EUA continua a desafiar as expectativas

Aresiliência da economia dos EUA persiste frente a choques globais, com produtividade, shale e financiamento flexível compensando pressões inflacionárias e desigualdade

The New York Stock Exchange is seen during morning trading on May 26, 2026. A large American flag hangs from the front of the building and people walk in the street in front of it
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  • A economia dos Estados Unidos tem crescido próximo de dois por cento ao anualmente, graças a ganhos de produtividade e a investimentos corporativos, mesmo diante de choques globais.
  • Investimentos das empresas representam treze vírgula nove por cento do Produto Interno Bruto, ficando acima do que muitos esperavam diante das mudanças econômicas.
  • A revolução do fraturamento hidráulico (fracking) e a diversificação de fontes de energia reduziram a vulnerabilidade ao preço do petróleo, tornando os EUA um dos maiores produtores de petróleo e gás.
  • Diferenças estruturais ajudam a explicar o desempenho: o Brasil usa mais financiamento via mercado de ações e capital de risco, enquanto a Europa depende mais de empréstimos bancários e contratos de energia de longo prazo.
  • Riscos atuais incluem inflação em alta (4,2% em maio) e desigualdade crescente, que podem erodir a resistência econômica caso se agravem.

Na comparação entre duas gigantes da indústria, Berlin e Spartanburg, emerge uma explicação sobre por que a economia dos EUA tem mostrado desempenho superior frente a choques globais. Em Dresden, a Volkswagen encerrou a produção na sua “Fábrica Transparente” no fim do ano passado; em Spartanburg, a BMW opera a maior unidade do grupo no mundo. A foto de duas realidades ajuda a entender o tema.

Especialistas destacam que, mesmo diante de tarifas, migração de mão de obra e tensões geopolíticas, a economia americana manteve crescimento estável. A inflação, porém, mostrou rigidez em alguns momentos, sem converter trajetórias de crescimento e preços persistentes em um cenário de estagnação.

O economista-chefe da RSM, Joe Brusuelas, aponta a guerra comercial como indício da resiliência dos EUA. Segundo ele, as mudanças de política de comércio e imigração foram catalisadores internos da dinâmica econômica. A aposta é que o investimento corporativo não recuou, mesmo com choques.

A taxa de investimento ficou em 13,9% do PIB dos EUA e não apresentou recuo, conforme Brusuelas. A explicação central envolve aumentos de produtividade que sustentam o ritmo de expansão, com o PIB a uma taxa anualizada próxima de 2%.

Energia e flexibilidade

A evolução do setor energético também ajuda a entender o cenário. A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, porém a revolução do shale tornou os EUA menos vulneráveis a choques externos. Nos últimos 20 anos, a produção de petróleo e gás ampliou-se, reduzindo a dependência de petróleo importado.

Brusuelas afirma que o fracking, aliado a fontes alternativas, reduziu pela metade a contribuição do petróleo ao PIB por unidade nos últimos 50 anos. Em contraste, a Europa manteve contratos de longo prazo e redes interligadas, o que deixou países expostos após cortes de gás russo.

Rebecca Christie, pesquisadora da Bruegel, observa diferenças culturais. A cultura norte-americana seria mais orientada a soluções e disposta a assumir riscos de curto prazo para ganhos de longo prazo, ao passo que a Europa seria mais avessa ao risco. Segundo Christie, esse ambiente facilita a captação de investimentos de mercado.

A estruturação de financiamento também diverge: nos EUA, empresas recorrem a acionistas e ao mercado de capitais, enquanto na Europa predomina o financiamento bancário e contratos de seguro que limitam perdas e ganhos. Christie ressalva que a resiliência macro pode ocultar dificuldades locais.

No entanto, a autora alerta para sinais de alerta. O mercado de trabalho dos EUA ainda não gera grandes quantidades de novas vagas, e a desigualdade persiste. O tema é crucial: um agravamento da crise no mundo real pode desafiar a resistência atual.

Dados recentes indicam que o Tesouro de empregos registrou criação de 172 mil vagas em maio, superando previsões. Em contrapartida, o último indicador de inflação aponta alta de 4,2% nos preços ao consumidor em maio, frente a 3,8% em abril, sinalizando pressão contínua.

Ainda assim, a combinação de mercados flexíveis, investimentos rápidos, disponibilidade de energia e disposição a assumir riscos ajuda a sustentar a posição dos EUA frente a outras economias avançadas. A visão, segundo Brusuelas, é de que o país permanece em vantagem, ainda que não imune.

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