- O acordo entre Estados Unidos e Irã não altera a decisão do Copom nesta semana nem o cenário de inflação de curto prazo.
- O ambiente externo continua incerto e com impacto limitado sobre a inflação, mesmo com possível descompressão geopolítica.
- Os altos preços de commodities já geram efeitos indiretos na inflação doméstica, principalmente em bens industrializados e alimentos.
- O Banco Central permanece com postura mais hawkish devido a demanda interna aquecida, mercado de trabalho robusto e deterioração das expectativas de inflação no longo prazo.
- Economista aponta que o Copom deve manter cautela e encerra o ciclo de cortes; a projeção é de apenas mais um corte de 25 pontos-base em junho, com Selic chegando a 14,25% no fim de 2026.
O Copom mantém a leitura de que o acordo entre EUA e Irã não altera as perspectivas para a reunião desta semana. A ASA aponta que a deterioração externa dificilmente se inverte no curto prazo, diante de incertezas sobre a duração do acordo e a sua efetividade.
Para o economista Leonardo Costa, da ASA, a volatilidade externa continua elevando riscos. O cenário interno, com inflação e atividade ainda pressionadas, limita qualquer mudança relevante na condução da política monetária.
Cenário externo ainda é incerto e com impacto limitado no Copom
Mesmo que haja descompressão geopolítica e possível reabertura do Estreito de Ormuz, o efeito imediato sobre a inflação tende a ser restrito, segundo Costa. O acordo não gera mudança direta para a reunião do Copom desta semana.
Costa ressalta que parte do choque do petróleo já foi amortecida por políticas domésticas. A elevaçao de preços foi parcialmente repassada pela Petrobras e pelo Governo, o que reduz espaço para a inflação recuar com queda de preços internacionais.
Inflação já sente efeitos indiretos das commodities
Segundo o economista, os impactos da alta das commodities já aparecem na inflação interna, principalmente em bens industriais. A alta recente de bens industrializados é citada como exemplo.
No setor de alimentos, o choque de custos ao longo da cadeia produtiva continua pressionando. Costa destaca a elevação de fertilizantes como fator relevante para a inflação de alimentos no curto prazo, com possibilidade de piora adicional em função de climáticas.
Ele aponta ainda que o El Niño, previsto para a segunda metade do ano, pode agravar o quadro inflacionário ao elevar custos na alimentação.
Banco Central segue pressionado por cenário doméstico
Para Costa, os fundamentos para uma postura mais rígida do BC permanecem, mesmo com alívio externo pontual. A atividade doméstica aquecida, o mercado de trabalho apertado e as expectativas de inflação deterioradas mantêm o viés hawkish.
Parte dos riscos já era conhecida pelo Copom, que vinha calibrando juros de forma gradual. O cenário interno implica manutenção de cautela na condução monetária, mesmo com algum alívio externo.
Copom deve adotar cautela e encerrar ciclo de cortes
A avaliação é de que a volatilidade externa soma-se a um ambiente já turbulento, exigindo cautela na política monetária. O BC tende a permanecer conservador diante de riscos internos e externos, segundo Costa.
Mesmo com o alívio de curto prazo do acordo, o economista entende que há motivos para interromper o ciclo de quedas na Selic e monitorar a evolução das variáveis macroeconômicas em um cenário adverso.
Costa conclui que a inflação ainda demanda vigilância, especialmente diante da meta de 3%. Ele mantém a expectativa de apenas mais um corte de 25 pontos-base na reunião de junho, com a Selic fechando 2026 em 14,25%.
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