- Agricultura regenerativa deixa de ser tema ambiental e vira estratégia de competitividade, eficiência e gestão de risco no campo.
- Painel do Agro 360º destacou que a adoção é impulsionada pela rentabilidade, com foco em bioinsumos, integração entre agricultura e pecuária e recuperação da saúde do solo.
- Tecnologia permite medir ganhos econômicos: Grupo Roncador substitui parte dos fertilizantes por compostos orgânicos e minerais produzidos internamente, reduzindo custos e dependência de insumos importados.
- No ano passado, a empresa utilizou 31% menos ingrediente ativo por hectare de defensivo químico.
- Banco Itaú BBA aponta que produtores que adotam práticas regenerativas são vistos como clientes de menor risco, com solos mais saudáveis aumentando a previsibilidade de resultados e condições de crédito.
O painel Agro 360º, promovido pelo Brazil Journal em parceria com o The Agribiz, destacou a ascensão da agricultura regenerativa como estratégia de competitividade, eficiência e gestão de risco para o campo. O debate ocorreu no contexto do evento agroindustrial e reuniu produtores, executivos e especialistas.
Segundo os participantes, a adoção dessas práticas não é mais movida por ideologia, e sim pela rentabilidade. O peso crescente dos insumos no custo de produção abriu espaço para um novo paradigma tecnológico. Técnicas de bioinsumos, integração entre lavoura e pecuária e melhoria da saúde do solo são apontadas como caminhos.
Luis Barbieri, cofundador da Raiar Orgânicos, afirmou que o impulso é financeiro. A melhoria da margem e a redução de custos aparecem como motivadores centrais para produtores que buscam sustentabilidade econômica.
Pelerson Penido Dalla Vecchia, o Peleco e CEO do Grupo Roncador, destacou o papel da tecnologia. A empresa vem substituindo parte dos fertilizantes convencionais por insumos orgânicos e minerais fabricados internamente, reduzindo despesas e a dependência de insumos importados.
Ele citou ainda um ganho específico: no ano anterior, houve queda de 31% no uso de ingrediente ativo por hectare de defensivo químico, evidência de ganhos de eficiência econômica com práticas regenerativas.
Beatriz Domeniconi, especialista em Agro ESG do Itaú BBA, ressaltou a sinalização dos bancos. Produtores que adotam essas práticas passam a ser vistos como clientes de menor risco, com solos mais estáveis e maior previsibilidade de resultados.
A discussão apontou que a agricultura regenerativa pode se consolidar como vantagem competitiva para o Brasil. A redução da dependência de fertilizantes e defensivos importados é apresentada como fator estratégico, especialmente em cenários geopolíticos voláteis.
Perspectivas e impacto
O debate indicou que a melhoria da resiliência produtiva tende a ampliar a previsibilidade de resultados financeiros para produtores. A adoção em larga escala pode favorecer a competitividade brasileira em mercados internacionais.
Os debatedores também defenderam que práticas regenerativas ajudam a reduzir custos operacionais e a impor menos riscos em períodos de crise, fortalecendo a gestão de risco no campo.
O Agro 360º teve patrocínio de Vibra Energia, Agrolend, Banco Original e FS Fueling Sustainability. Os vídeos dos painéis adicionais ficam disponíveis no site do Brazil Journal.
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