- American Airlines e Azul apresentaram ao Cade um parecer defendendo que a compra de 8% da Azul não reduz a concorrência entre as empresas.
- O documento, assinado pelo economista Thiago Caliari com apoio da LCA Consultoria, aponta que a parceria pode fortalecer a Azul sem eliminar a rivalidade no setor.
- Alegações de entidades concorrentes, como Abra (controladora da Gol/Avianca), são contestadas, destacando que rotas Brasil–Estados Unidos não se sobrepõem plenamente entre as duas companhias.
- Em trechos citados, a Latam é apontada como concorrente relevante em trechos como São Paulo–Miami, limitando benefícios de tarifas mais altas pela Azul ou pela American.
- O parecer diz que a parceria não é exclusiva, que há regras de compliance e que a eventual aliança visa manter um feed doméstico relevante, com foco na recuperação financeira da Azul.
A American Airlines e a Azul apresentaram ao Cade um parecer técnico defendendo que a aquisição de 8% do capital da Azul pela empresa norte-americana não cria incentivos para reduzir a concorrência entre as companhias. O documento, assinado pelo economista Thiago Caliari com apoio da LCA Consultoria, sustenta que a parceria pode fortalecer a Azul em sua recuperação financeira.
O parecer foi protocolado nesta segunda-feira (15) em resposta a questionamentos de três entidades. Entre elas está a Abra, controlador da Gol e da Avianca, que argumenta que a união enfraqueceria a competição no mercado brasileiro. Outros signatários são o IBCI e o IPSConsumo, entidades de defesa do consumidor.
Para a análise, os consultores destacam que as rotas Brasil-Estados Unidos não se sobrepõem de forma relevante entre as duas empresas, citando trajetos diferentes. A American opera a partir de hubs como Dallas, Miami e Nova York, com saídas de Guarulhos e Galeão, enquanto a Azul concentra voos entre cidades como Belém, Campinas e Recife, com ligações para Fort Lauderdale e Orlando.
Canais com potencial de competição
Em trechos onde há possível sobreposição, o parecer aponta a Latam como concorrente suficiente para limitar aumentos de tarifas. A justificativa é que qualquer elevação de preço pela American seria contida pela presença da Latam no corredor São Paulo-Miami.
O documento também afirma que, mesmo que haja benefício financeiro para a American com tarifas mais altas na Azul, o retorno seria inferior a 3% das perdas que a americana sofreria em tal cenário, tornando-se economicamente inviável.
Azul e American entregaram, na última sexta-feira (12), parecer contestando as críticas da Abra e reiterando que o Comitê Estratégico da Azul está sujeito a regras de compliance que evitam compartilhamento de informações sensíveis. Segundo eles, nem a AA nem a United teriam voto ou veto no colegiado.
Além disso, os setores apontam que a parceria não é exclusiva e que a Gol tem caminhos internos para contornar rotas internacionais, com a Avianca e planos da Azul de iniciar voos próprios para Nova York, Orlando, Lisboa e Paris, anunciados em março.
O Cade ainda analisa a operação como uma aliança estratégica para manter um parceiro relevante de feed doméstico. A Azul, hoje, opera a maior malha nacional, com 340 rotas e mais de 294 mil decolagens em 2025, sendo 278 sem sobreposição regular com a Gol.
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