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Copom em ponto crítico: cortar ou pausar a Selic?

Copom enfrenta ponto crítico: inflação acima da meta e choques externos elevam pressão sobre preços, com possibilidade de manter 14,5% ou sinalizar corte residual

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  • Copom se reúne nos dias 16 e 17 de junho para decidir se mantém a Selic em 14,5% ou faz uma pausa.
  • Inflação de maio ficou em 0,58% e o acumulado em doze meses superou o teto da meta.
  • Fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, aumentam incertezas sobre preços de insumos e o dólar.
  • Há divergência entre especialistas: alguns defendem pausa, outros veem espaço para queda residual de 0,25 ponto percentual, até 14,25%.
  • A avaliação considera petróleo, atividade econômica e cenário fiscal, com a Confederação Nacional da Indústria destacando impactos de juros altos na produção.

O Copom se reúne nesta terça e quarta-feira, 16 e 17, para decidir se mantém a Selic em 14,5% ou faz uma pausa na trajetória de cortes. O cenário envolve inflação de maio em 0,58% e o acumulado de 12 meses acima do teto da meta, com viés de alta de preços e atividade econômica robusta.

A atualização sobre o cenário externo inclui o conflito no Oriente Médio que eleva a incerteza sobre preços de insumos, além de movimentos de juros nos EUA que podem impactar o dólar. Analistas ressaltam a necessidade de sinal claro do Banco Central para manter credibilidade.

O dilema da manutenção

Para Cassio Viana de Jesus, diretor da Pilar Capital, a Selic pode permanecer em 14,5% devido à inflação ainda acima do teto, ao petróleo pressionando custos e à leitura fiscal negativa. A comunicação precisa não sinalizar tolerância com a inflação.

Luis Felipe Vital, da Warren Investimentos, afirma que o Copom está em ponto crítico. Ele defende pausa para evitar deterioração adicional de serviços e manter a leitura de incerteza associada ao conflito geopolítico.

Fábio Murad, da Ipê Avaliações, sustenta que manter a taxa é prudente diante dos riscos no cenário, como crédito sustentando demanda, efeitos climáticos sobre alimentos e possível saída de capital externo.

Espaço para o corte residual

Alguns participantes esperam redução de 0,25 ponto percentual para 14,25%. Leonardo Costa, ASA, cita a deterioração de núcleos de serviços como argumento para terminar o ciclo de cortes. Arnaldo Lima, Polo Capital, vê choque de oferta temporário, sem espaço para alta adicional.

Rafael Rondinelli, MAG Investimentos, reforça a possibilidade de queda de 0,25 p.p., apontando que o juro real permanece restrito o suficiente para permitir mais amortecimento gradual. Bancos também sinalizam espaço para corte modesto.

Projeções e comunicação do BC

Relatórios indicam visões distintas sobre o fim de 2026. Itaú projeta corte de 0,25 p.p. na decisão de junho, com espaço incerto para calibração futura. J P Morgan sustenta que a política permanece restritiva e atua como seguro contra aperto.

Especialistas destacam que a comunicação do Copom será decisiva para ancorar expectativas, diante de cenários de inflação e volatilidade externa. O BC aponta como desafio manter credibilidade sem comprometer a atividade econômica.

Impactos na economia e perspectivas

A manutenção da restritiva política monetária implica custos para a atividade produtiva, conforme a CNI, que afirma que o nível atual da taxa real prejudica investimentos e emprego. O endividamento corporativo em patamar elevado também é citado como consequência.

Projeções de mercado variam. Algumas casas enxergam Selic entre 14,0% e 14,25% no fim de 2026, com IPCA próximo a 5,3%-5,5%. A decisão do Copom deve sair com sinalizações sobre trajetória futura diante de riscos inflacionários e conjuntura externa.

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