- A CVC encerrou o pregão de 11 de junho em R$ 1,32, a menor cotação desde o IPO, subiu para R$ 1,39 no dia seguinte e a empresa ficou avaliada em R$ 723,9 milhões.
- As ações caíram 35,6% em 2026 e 44,8% em 12 meses, com fatores externos, como guerra no Oriente Médio, ajudando a pressionar resultados.
- O CEO Fabio Mader atribui parte da queda a fatores macro, mas gestores e especialistas apontam problemas estruturais: gestão instável, modelo figital e pressão de concorrência de agências 100% digitais.
- No primeiro trimestre, a CVC teve prejuízo líquido de R$ 72,3 milhões, receita líquida de R$ 377,8 milhões e EBITDA ajustado de R$ 93,7 milhões; a dívida líquida passou a R$ 241,8 milhões.
- A empresa reduziu quadro em 14%, renegociou contratos e investe no modelo figital com expansão de lojas; não descarta capitalização, mas mira reperfilar dívidas e manter fluxo de caixa com recebimentos de férias.
A CVC recebeu mais uma rodada de avaliações negativas no mercado de ações, com queda acentuada das ações e sinalizadas dificuldades de caixa. Nesta quinta-feira, as ações fecharam em 1,32 real, a menor cotação desde o IPO de 2013, e registraram queda de 7,04%. No dia seguinte, houve alta de 5,3% e fechamento em 1,39 real, elevando a avaliação da companhia para 723,9 milhões de reais.
Apesar da recuperação pontual, a CVC ainda está próxima de seu mínimo histórico anterior, de 1,38 real em dezembro de 2024. Em 2026, as ações acumulam baixa de 35,6%, e em 12 meses a desvalorização chega a 44,8%. O desempenho reflete dúvidas sobre a estratégia, custos elevados e endividamento crescente.
A gestão atribui parte do movimento ao cenário macro, incluindo a guerra no Oriente Médio e a alta da taxa Selic, que pressionam resultados. Ainda assim, analistas apontam problemas estruturais, como gestão instável, modelo figital com elevação de custos e competição de OTAs digitais.
Desempenho financeiro e margem de resultado
No primeiro trimestre de 2026, a CVC apresentou prejuízo líquido de 72,3 milhões de reais, frente 7,4 milhões de perdas no mesmo período de 2025. A receita líquida ficou estável em 377,8 milhões, e o EBITDA ajustado caiu 10,5%, para 93,7 milhões.
Despesas operacionais e financeiras aumentaram, e o consumo de caixa operacional cresceu de 53,2 milhões para 121,6 milhões. A dívida líquida passou de 101,8 milhões no fim de 2025 para 241,8 milhões, com a relação dívida/recebíveis em 1,52 bilhão de reais.
Estrutura de gestão e estratégia de negócios
Fabio Mader, CEO desde janeiro, afirma que a empresa ainda não encontrou um peer direto na B3 para comparação, destacando queda das ações de outras companhias do varejo e setores relacionados. A CVC tem visto deterioração de market share e take rate, conforme avaliação de gestores que acompanham o caso.
O grupo realizou cortes internos de 14% no quadro de funcionários, priorizando cargos de alta gestão, para reduzir custos e tornar a operação mais ágil. Além disso, vem buscando recomposição de caixa com recebimentos de parcelas de férias e renegociações de contratos.
Transformação figital e expansão de lojas
A estratégia de expansão física, associada ao conceito figital, envolve abrir lojas em cidades menores para ampliar escala e servir como hubs de atendimento. O objetivo é competir com OTAs digitais, mas a implementação gerou críticas sobre custo e eficácia.
A CVC tem buscado reforçar presença em plataformas digitais, com o lançamento de site e aplicativo, além da entrada em agregadores como Skyscanner, Google Flights e Kayak. Analistas questionam se o caminho digital reduzirá a dependência de lojas físicas.
Contato com investidores e perspectiva de mercado
Houve rumores de uma possível oferta pública de aquisição envolvendo a Decolar, controlada pela Prosus, mas a CVC negou qualquer proposta recebida até o momento. A gestão afirma estar focada em reequilibrar o balanço e ampliar eficiência, sem necessidade imediata de capitalização externa.
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