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Empresas devem mapear danos à saúde mental no trabalho

Nova regulamentação obriga empresas a mapear danos à saúde mental no trabalho; multas podem ocorrer e custos crescentes afetam empresas e PIB global

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  • A Organização Internacional do Trabalho aponta mais de oitocentos e quarenta mil mortes por riscos psicossociais no trabalho todos os anos.
  • O impacto global pode chegar a 1,37% do PIB anual.
  • No Brasil, o Ministério da Previdência Social concedeu mais de quinhentos e quarenta e seis mil benefícios por transtornos mentais em 2025, alta de quinze por cento.
  • A norma regulamentadora 1 passou a valer em maio, obrigando empresas a mapear e reduzir riscos à saúde mental, com multa prevista após noventa dias de adaptação.
  • A medida deve beneficiar sobretudo as mulheres, com necessidade de canais de escuta e ações de conscientização nas empresas.

O governo brasileiro ampliou a responsabilidade das empresas para mapear e reduzir riscos à saúde mental dos trabalhadores, com a aplicação de mudanças na NR-1 a partir de maio. A medida exige atuação contra transtornos psicossociais, como burnout, decorrentes de longas jornadas, insegurança no emprego e assédio. Penalidades podem ocorrer após o período de adaptação de 90 dias.

Dados globais apontam que mais de 840 mil pessoas morrem por problemas ligados a riscos psicossociais no trabalho a cada ano, segundo a OIT. O relatório divulgado em abril estima perdas econômicas equivalentes a 1,37% do PIB mundial.

No Brasil, o Ministério da Previdência Social registrou mais de 546 mil benefícios por transtornos mentais em 2025, alta de 15% frente ao ano anterior. Já o Ministério do Trabalho e Emprego aponta aumento próximo de 70% nos gastos com auxílios entre 2022 e 2024, chegando a 31,8 bilhões de reais.

Mudanças na NR-1 e impactos práticos

As novas regras sinalizam que empresas devem mapear riscos psicossociais além dos riscos físicos e químicos. A supervisão dependerá de comprovação de ações para reduzir esses riscos e de atendimento aos questionários de saúde mental internos.

Especialistas destacam que a NR-1 não distingue gênero, mas tende a beneficiar mulheres, que enfrentam desigualdade salarial, sobrecarga e jornadas prolongadas. Em consulta, a psicóloga Patrícia Ansarah reforça a melhoria para trabalhadores.

Para advogada Débora Cursine, a fiscalização tende a observar através de dados de afastamentos e rotatividade. A alta saída de funcionários pode funcionar como alerta para fiscais durante inspeções.

Perspectivas para empresas e trabalhadores

Especialistas indicam que empresas que se adequarem cedo podem reduzir custos com processos judiciais e danos morais, protegendo o negócio a longo prazo. A adoção de canais de escuta e ações de conscientização facilita o andamento da implementação.

Patrícia Ansarah recomenda práticas internas como canais de comunicação para priorizar demandas e evitar sobrecarga. A criação de um ambiente de trabalho seguro, com segurança psicológica, facilita a abertura de relatos pelos funcionários.

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