- O governo brasileiro planeja emitir pela primeira vez dívida pública voltada ao mercado chinês, com negociação em yuan, a ser anunciada durante viagem do ministro da Fazenda, Durigan, a Pequim e Xangai entre 24 e 26 de junho.
- A iniciativa busca diversificar as fontes de financiamento da dívida externa e já é estudada pelo Tesouro Nacional desde 2024, com avanços na cooperação com a China para transações sem o dólar.
- Emissões em yuan já estavam previstas no Plano Anual de Financiamento de 2024, e a Suzano lançou títulos em yuan no fim de 2024 como pioneira na região.
- Hoje, external corresponde a 3,8% da dívida pública federal; a ideia é elevar esse percentual para cerca de 7% na próxima década.
- Existem riscos cambiais e de liquidez do yuan, além de contexto geopolítico com os EUA; mesmo assim, o volume captado deve ficar abaixo de alguns bilhões de dólares, pequeno frente ao estoque da dívida de mais de R$ 8 trilhões.
O governo brasileiro prepara a primeira emissão de dívida pública voltada ao mercado financeiro chinês, com negociação em yuan. A operação está em planejamento pelo Tesouro Nacional há dois anos e deve ser anunciada durante viagem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a Pequim e Xangai entre 24 e 26 de junho, conforme divulgou a Reuters.
Durigan confirmou a informação durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Segundo ele, o Brasil é visto como uma “grande casa de oportunidade” pelo mundo, em referência à diversificação de estratégias de financiamento.
A medida integra um conjunto de iniciativas de desdolarização já em curso no governo Lula, com impactos ainda controversos entre aliados e parceiros externos. Em janeiro de 2023, Lula sinalizou a ideia de uma moeda comum para Mercosul e BRICS e, posteriormente, houve acordo para transações sem dólar entre real e yuan.
Emissão em yuan: histórico, planos e objetivos
O Tesouro Nacional acompanha a possibilidade de emitir títulos em moeda chinesa desde 2024. O Plano Anual de Financiamento daquele ano já apontava a avaliação de emissões em moedas diferentes do dólar, como parte de uma gestão de dívida mais diversificada.
Em meados de 2023, Tatiana Rosito destacou estudos do Tesouro para emissão em yuan. Em junho do ano passado, Rogério Ceron reforçou a análise sobre custos de captação e curva de aprendizagem associada a essa prática.
A estratégia visa ampliar a base de investidores e reduzir a dependência de dólar, segundo o governo. A Suzano, empresa brasileira, já emitiu em yuan no fim de 2024, somando R$ 960 milhões.
Riscos, impactos e cenário internacional
Especialistas apontam riscos cambiais: se o yuan se valorizar frente ao real, o custo efetivo da dívida pode aumentar. Além disso, o mercado em yuan tem liquidez menor que o dólar, o que eleva a complexidade de operações e a percepção de risco.
A emissão ocorre em um momento de pressão dos EUA sobre o Brasil, com uma possível tarifação adicional no âmbito de investigações ligadas a práticas de tecnologia e pagamentos, o que influencia a percepção de investidores internacionais sobre o país.
Mesmo com possíveis ganhos de diversificação, o volume captado com yuan tende a ser modesto frente ao tamanho da dívida pública brasileira, que supera hoje os R$ 8 trilhões. O governo atribui o movimento a uma estratégia de longo prazo de financiamento.
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