- O mercado espera corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, pela terceira vez consecutiva, embasado pela queda dos preços do petróleo após o acordo entre EUA e Irã que reabre o Estreito de Ormuz.
- Ainda há divergências sobre o ritmo futuro do ciclo de cortes e sobre os sinais que o Banco Central poderá emitir no comunicado desta quarta-feira.
- Alguns analistas veem continuidade do ciclo de calibração, enquanto outros avaliam que este pode ser o último corte ou até mesmo uma manutenção da taxa.
- O tom da comunicação é visto como cauteloso, com debate se haverá indicação explícita de novos cortes, pausa ou uma postura dependente de dados.
- As opiniões variam entre instituições sobre o equilíbrio entre a continuidade de cortes e os riscos inflacionários, com diversas leituras sobre o que o BC sinalizará nas próximas reuniões.
O mercado projeta que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, pela terceira vez consecutiva. A decisão ocorre nesta quarta-feira, 17, e é influenciada pelo acordo entre EUA e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, que reduz o repasse de pressões sobre o petróleo. A perspectiva aponta para um corte, mas o tom da comunicação do BC é motivo de debate entre os economistas.
Diversos analistas veem a continuidade do ciclo de calibração dos juros, mesmo com o patamar ainda restritivo. Outros esperam que o terceiro corte seja o último, devido a inflação acima da meta, demanda aquecida e dólar elevado. Há ainda quem acredite que a Selic possa permanecer no cenário atual, sem novas reduções de curto prazo.
O tom do comunicado é visto como crucial. A maioria aposta em uma linguagem cautelosa, sem consenso sobre um sinal claro de novos cortes ou de pausa, ou ainda se o BC adotará uma postura dependente de dados. O mercado acompanha a leitura de riscos e a resposta da curva de juros futuros diante da possível mudança de cenário.
Analistas destacam diferentes leituras para o comunicado. Alguns entendem que, se houver o corte, o BC poderá sinalizar que o espaço para novas reduções fica mais incerto. Outros destacam a importância de manter a credibilidade e evitar deterioração adicional das expectativas.
Comentários dos seguintes especialistas ajudam a ilustrar o momento:
- Goldman Sachs aponta a possibilidade de novo corte de 0,25pp para 14,25%, com sinalização hawkish e possível indicação de pausa ou de continuidade condicionada ao cenário de inflação.
- Itaú Unibanco ressalta que o espaço para calibração adicional é incerto e que o comitê pode evitar descrever o balanço de riscos como assimétrico, para não estimular discussões sobre altas de juros futuras.
- Jubarte Capital entende que o BC deverá sinalizar pausa já na próxima reunião para preservar credibilidade, citando a precificação de altas de juros a partir do fim do ano.
- Opportunity Total prevê novo corte de 0,25pp, com tom mais cauteloso e abordagem data-dependent, mantendo aberta a possibilidade de próximas ações, mas com tendência a não abandonar a ideia de cortes adicionais.
- Rabobank enfatiza cautela na avaliação dos efeitos secundários e a necessidade de observar a inflação à medida que o ritmo de demanda se mantém estável em 2026.
- BBVA aponta corte de 0,25pp com linguagem hawkish, sem indicar guidance.
- BMG espera novo recorte de 0,25pp, mantendo a comunicação aberta e avaliando, em agosto, a possibilidade de mais cortes.
- Standard Chartered mantém espaço para novo recorte nesta semana, mas ressalva que o ritmo de crescimento reduz a urgência de reduções adicionais.
- Citi sugere tom mais firme caso ocorra o corte, reconhecendo possível encurtamento do ciclo de calibração pela desancoragem das expectativas de inflação, mantendo, porém, postura serena e dependente de dados.
- Inter Asset defende pausa no ciclo de recalibração, deixando claro que o próximo movimento pode ser de queda, não de alta.
Com o avanço das negociações EUA-Irã, o mercado revisou as apostas, recuando a probabilidade de um choque maior na política monetária e elevando a possibilidade de que o corte de quarta-feira seja o último. A leitura de cenários permanece sujeita a revisões conforme evolução de inflação, câmbio e atividade doméstica.
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