- A EDP iniciou a operação do seu primeiro sistema de armazenamento por baterias na América do Sul, com 240 MWh, integrado ao Parque Eólico Punta de Talca, no norte do Chile, em um projeto de US$ 44 milhões.
- O objetivo é enfrentar o curtailment, ou seja, quando há excesso de geração sem demanda suficiente, armazenando energia para liberar quando há demanda.
- O empreendimento faz parte de um complexo de cerca de US$ 164 milhões, cuja primeira etapa foi o parque eólico de 83 MW inaugurado em 2024.
- A previsão é que o conjunto alimente cerca de 95 mil residências e reduza cerca de 140 mil toneladas de CO2 por ano.
- No Brasil, a discussão sobre o primeiro leilão de baterias e encargos regulatórios é acompanhada pelo setor, que vê a experiência chilena como referência para ampliar armazenamento e segurança do sistema.
Em operação, um grande sistema de armazenamento por baterias no Chile demonstra como o armazenamento pode reduzir o desperdício de energia limpa e aumentar a confiabilidade do sistema. O projeto fica integrado ao Parque Eólico Punta de Talca, em Ovalle, no norte chileno, com investimento de US$ 44 milhões e capacidade de 240 MWh.
A iniciativa, desenvolvida pela EDP, visa enfrentar o curtailment, fenômeno em que a geração de eólica e solar é restringida por demanda, transmissão ou capacidades da rede. As baterias armazenam energia em momentos de excesso para devolvê-la quando a demanda sobe ou o sistema precisa de suporte adicional.
Para a empresa, o sistema amplia a flexibilidade e a confiabilidade da rede, complementando o parque de 83 MW inaugurado em 2024. O projeto de armazenamento integra um complexo que já recebeu cerca de US$ 164 milhões em investimentos, ajudando a equilibrar geração e consumo em tempo real.
Impacto e vocação regional
O parque tem potencial para abastecer aproximadamente 95 mil residências e reduzir emissões de CO2 em cerca de 140 mil toneladas por ano. Técnicos apontam que as baterias ajudam a mitigar o desperdício de energia durante picos de produção com demanda insuficiente, fortalecendo a resiliência do sistema.
Segundo executivos, a experiência chilena oferece lições relevantes para o Brasil, onde cortes na geração renovável têm ganhado espaço no Nordeste. A limitação da infraestrutura de transmissão é citada como principal gargalo para absorver toda a energia gerada.
Leis e riscos regulatórios no Brasil
A recente publicação da portaria do primeiro leilão de baterias no país é vista como avanço para a segurança do abastecimento e o desenvolvimento do armazenamento. Ainda assim, o desenho dos encargos aplicáveis aos sistemas de armazenamento permanece em discussão, com impacto direto sobre a viabilidade econômica dos projetos.
João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, afirmou que o mercado aguardava a regulamentação e que o desenho atual está alinhado com contribuições da empresa. O executivo sinalizou necessidade de esclarecer como serão pagos os encargos, para reduzir incertezas.
Perspectivas da empresa no Brasil
A EDP destaca que a experiência adquirida com o projeto chileno reforça a posição da empresa em futuras oportunidades no Brasil. A companhia ressalta que as baterias devem ocupar papel central na expansão de renováveis e na melhoria da qualidade do fornecimento, aliadas a transmissão e outras tecnologias.
A empresa apresenta as baterias como ferramenta para reduzir o curtailment, aumentar a resiliência da rede e apoiar o crescimento da energia renovável. A avaliação é de que o tema regulatório deve avançar nos próximos meses e esclarecer a viabilidade econômica dos projetos.
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