- Anthony Noto tornou-se CEO da SoFi em 2018, expandindo a empresa de empréstimos estudantis para um banco digital com 12 linhas de produtos; a receita subiu de US$ 240 milhões em 2018 para US$ 3,6 bilhões em 2025 e a base de clientes chegou a 13,7 milhões, com valor de mercado próximo de US$ 40 bilhões.
- A performance atraiu dúvidas entre investidores desde 2025, com queda de cerca de cinquenta por cento das ações e questionamentos sobre a dependência de crescimento de crédito e de tecnologia.
- Em março de 2026, a gestora Muddy Waters publicou relatório acusando a SoFi de usar artifícios contábeis de “engenharia financeira”; a empresa rebateu, dizendo que as alegações são incorretas e que seus números são auditados.
- A contabilidade da SoFi envolve fair value accounting com taxas de desconto muito baixas (4,6%), o que eleva o valor contábil dos empréstimos; a empresa também capitaliza parte de despesas de marketing, elevando o lucro de curto prazo.
- A SoFi vem enfrentando desafios para diversificar além do crédito ao consumidor, com a área de tecnologia financeira (Galileo, Technisys) apresentando desempenho fraco; negociações de aquisição com a Column foram encerradas no início de 2026.
A trajetória da SoFi, fintech criada em Stanford para financiar estudos, ganhou grande destaque entre fins de década passada e início dos anos 2020. Sob a liderança de Anthony Noto, a empresa passou de empréstimos estudantis a um banco digital com portfólio amplo, buscando crescer a partir da diversificação de seus produtos.
O que aconteceu: a SoFi viveu um período de expansão acelerada, ampliando de 3 para 12 categorias de serviços entre 2018 e 2025. Em 2021, abriu capital e, seis meses depois, recebeu licença bancária, permitindo captar depósitos e oferecer contas, cartões e financiamento imobiliário. Esse crescimento elevou seu valor de mercado.
Quem está envolvido: Anthony Noto assumiu como CEO em 2018, trazendo uma visão de banco digital com foco em rentabilidade por unidade de negócio. Ex-diretor do Twitter e ex-banqueiro, ele guiou a empresa apesar de controvérsias sobre governança envolvendo o ex-fundador Mike Cagney e o ex-CFO Nino Fanlo.
Quando e onde ocorreu: a entrada de Noto ocorreu em dezembro de 2017, em São Francisco, e a guinada rumo a um banco digital ficou mais evidente entre 2018 e 2025, com atuação global do portfólio tecnológico da empresa. As operações financeiras se desenrolaram principalmente nos EUA.
Por quê: a mudança visava manter a SoFi competitiva frente a bancos tradicionais e outras fintechs, alavancando receitas com serviços complementares. Contudo, a avaliação de mercado passou a depender de métricas de crescimento, margens e de questões contábeis sob escrutínio.
Como tem se desenrolado: investidores passaram a questionar a qualidade da expansão, com queda de quase 50% nas ações desde novembro de 2025. Relatórios de analistas apontam preocupações com a conta de resultados, práticas contábeis e dependência de crédito ao consumidor.
O que diz a prática contábil: a SoFi utiliza contabilidade a valor justo para empréstimos, com taxas de desconto que, segundo a empresa, refletem risco e liquidez. Especialistas discutem se esse approach gera supervalorização de ativos e lucros, sem consenso no mercado.
Controvérsia e resposta: a Muddy Waters publicou em março de 2026 um relatório acusando a empresa de engenharia financeira semelhantes às Enron, o que ampliou dúvidas entre investidores. A SoFi rebateu, dizendo que as acusações são incorretas e que seus relatórios são íntegros.
Contexto de mercado: a SoFi aparece como a maior credora digital de empréstimos pessoais nos EUA em 2025, com portfólio próximo de US$ 20,2 bilhões. Mesmo assim, o ambiente regulatório e a demanda por crédito privado passaram a exigir maior transparência.
Projeções e próximos passos: a empresa sinaliza expansão de serviços tecnológicos e maior foco na rentabilidade por unidade, tentando reduzir a dependência de crédito ao consumidor. A avaliação de Wall Street permanece cautelosa diante de incertezas contábeis e de crescimento.
Fontes: reportagem publicada originalmente pela Forbes, com informações sobre histórico, governança, métricas de desempenho e debates sobre práticas contábeis. Credita fontes do setor e analistas para delimitar o consenso de mercado.
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