- O petróleo caiu cerca de 5% após o anúncio do entendimento entre Estados Unidos e Irã, segundo o economista Maílson da Nóbrega.
- Ele diz que o acordo não é definitivo e que há dúvidas sobre o desdobramento nos próximos dias, com um período de incerteza estimado em pelo menos 60 dias.
- A reação da commodity indica entre investidores continuação de incertezas e pressões inflacionárias, o que mantém cautela de bancos centrais no Brasil e nos EUA.
- No cenário de inflação, os últimos 12 meses ficaram em 4,2% nos Estados Unidos e 4,72% no Brasil, reforçando a postura prudente dos bancos centrais na definição de juros.
- Para a Super Quarta no Brasil, Maílson espera um novo corte de 0,25 ponto percentual, com os juros encerrando o ano em 14%.
O petróleo reagiu ao anúncio de um entendimento entre Estados Unidos e Irã de forma contida, sugerindo menos otimismo sobre quedas rápidas dos juros. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, o economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, apontou que o mercado continua atento a riscos inflacionários. A avaliação é de que a cautela persiste entre bancos centrais, incluindo o Brasil e os EUA.
Para Maílson, o recuo do petróleo ficou mais moderado do que o esperado. O preço caiu cerca de 5% após a divulgação do memorando de entendimento, que não é visto como um acordo formal. O ex-ministro afirma que as incertezas sobre a efetiva implementação pesam sobre as expectativas de inflação global.
O acordo ainda não resolve as tensões entre Washington e Teerã, segundo ele. O documento divulgado não caracteriza um acordo definitivo, e há dúvidas sobre o desenrolar nos próximos meses, com um período de incertezas estimado em pelo menos 60 dias.
O que o petróleo revelou sobre o cenário econômico
A leitura do mercado, segundo Maílson, é de que os riscos continuam presentes e alimentam a cautela das autoridades monetárias. Mesmo com menor tração inflacionária em alguns componentes, as pressões persistem, impactando decisões sobre juros.
Dados de inflação ajudam a entender o cenário. Nos EUA, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,2%, enquanto no Brasil chega a 4,72%. Esses números reforçam a postura prudente de bancos centrais ao definirem movimentos na política monetária.
Essa postura de cautela tende a privilegiar uma trajetória de cortes graduais, com foco na redução gradual da inflação sem criar ancoragem de expectativas desancoradas. Bancos centrais permanecem atentos a sinais de desaceleração econômica global.
O que esperar da Super Quarta no Brasil
Sobre a próxima decisão do Banco Central brasileiro, Maílson mantém a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Ele observa que a inflação recente mantém espaço para esse ajuste gradual, apesar de pressões persistentes.
Ainda assim, a projeção dele aponta para mais um recuo antes de um eventual fim do ciclo de flexibilização. A previsão é de que a taxa encerraria o ano em torno de 14%, com o andamento do processo de redução ainda em curso.
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