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Acordo EUA-Irã pode amenizar inflação, efeito não é imediato

Acordo entre EUA e Irã pode aliviar inflação no Brasil, mas impacto é gradual; petróleo pode recuar, beneficiando combustíveis e aviação nas próximas semanas

Imagem: Magnific
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  • Um acordo entre Estados Unidos e Irã pode ajudar a reduzir pressões inflacionárias no Brasil, mas o efeito não será imediato.
  • O impacto depende da normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o que pode reduzir os preços internacionais da commodity e, consequentemente, o custo de energia.
  • Os primeiros efeitos devem aparecer em combustíveis e aviação; depois, no transporte rodoviário de cargas e, por fim, em bens de consumo.
  • Mesmo com melhora externa, a inflação brasileira continua pressionada por fatores internos, como inflação de serviços, câmbio e inércia de reajustes indexados à inflação passada.
  • O efeito sobre a política monetária depende de uma convergência de fatores para que o Banco Central possa flexibilizar a Selic, não apenas de um gatilho geopolítico isolado.

O acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio pode reduzir pressões inflacionárias no Brasil nos próximos meses. Segundo o especialista em investimentos Fernando Benavenuto, o efeito não deve surgir de forma imediata, pois parte do choque já foi precificada pelos preços.

Itens com transmissão rápida, como combustíveis e passagens aéreas, já refletem parte da tensão geopolítica. Ainda assim, uma normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz pode favorecer uma queda mais estável nos preços internacionais, ajudando a cadeia de energia doméstica.

A avaliação de Benavenuto é de cautela. O mercado costuma aguardar sinais concretos de estabilização antes de assimilar mudanças estruturais no preço do petróleo, o que pode manter a pressão inflacionária parcialmente contida por ora.

Efeito no petróleo e na energia

Caso haja normalização no trânsito de petróleo, há espaço para alívio nos preços internacionais da commodity. O impacto, porém, depende de confirmação de estabilização no médio prazo e de como as decisões do mercado vão repercutir nos custos nacionais.

Segundo o especialista, a resposta inicial deve surgir nos combustíveis e na aviação, por terem custos diretamente atrelados às cotações externas. O transporte rodoviário de cargas também tende a sentir o movimento.

Depois, o efeito pode se estender a toda a cadeia de consumo, incluindo alimentos industrializados e bens manufaturados, conforme a transmissão se propaga pela economia.

Benavenuto aponta que o repasse ao consumidor final pode ocorrer entre quatro e oito semanas, em condições normais. Exceções podem acontecer se margens precisarem ser recomputadas ou se houver atraso na atualização de preços.

Inflação interna e fatores internos

Mesmo com menor tensão externa, a inflação brasileira permanece sujeita a fatores domésticos. O mercado de serviços segue resiliente devido ao mercado de trabalho aquecido e à dinâmica salarial, mantendo parte da inflação.

O câmbio, apesar de recente valorização, ainda sustenta pressões sobre bens importados e insumos industriais. Além disso, a inércia inflacionária persiste, com contratos indexados a inflação passada prolongando o efeito de altas anteriores.

O cenário fiscal também preocupa: em ano eleitoral, o impulso fiscal tende a sustentar a demanda agregada, dificultando uma desinflação mais rápida, segundo o especialista.

Perspectivas para os próximos anos

Combustíveis, alimentos e passagens aéreas devem continuar entre os principais riscos para a inflação. Alimentos sofrem com clima, variação cambial e preços de commodities; combustíveis dependem do cenário geopolítico e da política de preços; passagens são impactadas por custos dolarizados, margens reduzidas e demanda aquecida.

A trajetória para a política monetária depende de vários fatores. Embora um menor choque externo favoreça a queda da inflação, o Banco Central avalia condições adicionais antes de cortar a Selic, buscando não comprometer a desinflação.

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