- O Bank of America diz que a Argentina já alinhou dois dos três planetas para um ciclo virtuoso: contas externas e inflação em melhora, faltando o crescimento do PIB.
- A inflação mensal foi de 2,1% em maio, com alta de 33,2% em doze meses; a projeção é chegar a 32% neste ano e 15,5% em 2027.
- As exportações cresceram 21,5% nos primeiros quatro meses deste ano ante 2025, puxadas por minerais e grãos; o saldo com energia aumentou US$ 9 bilhões nos últimos 12 meses.
- A conta-corrente deve fechar o ano em equilíbrio; as reservas internacionais vêm se fortalecendo, com compras do Banco Central de US$ 11,5 bilhões neste ano e reservas líquidas em US$ 8 bilhões.
- O rating soberano subiu para B- pela S&P e pela Fitch, com Moody’s como próxima a definir; o governo vem promovendo reformas, como a abolição da Ley de Abastecimiento, desregulamentação de investimentos e reforma trabalhista, enquanto o PIB caiu em 2024 e deve crescer 3,5% em 2026 (com 4,4% em 2025).
A Argentina avançou em duas frentes econômicas, segundo relatório do Bank of America. O aperto fiscal de Milei, aliado a um boom das exportações, ajudou a frear a inflação e a melhorar o saldo externo. O banco diz que o país está próximo de um ciclo virtuoso.
No texto, o BofA afirma que a Argentina alinhou dois dos três “planetas” necessários para estabilizar a economia, faltando apenas o impulso do PIB para completar o ciclo. O relatório aponta melhora significativa das contas externas e da inflação como sinais fortes.
A inflação mensal de maio ficou em 2,1%, impondo 33,2% de aumento acumulado em 12 meses. A projeção indica fechamento do ano com 32% e alta de 15,5% em 2027, segundo analistas. Exportações ganham impulso tanto em volumes quanto em valores.
Poder de fogo externo e reservas
As exportações registram elevação impulsionada por minerais e grãos, com receita externa 21,5% maior nos primeiros quatro meses ante igual período de 2025. O setor de energia também mostrou saldo positivo maior em US$ 9 bilhões nos últimos 12 meses.
O BofA projeta que a conta corrente encerre o ano em equilíbrio, revertendo o déficit de 1,3% do PIB registrado em 2025. Resultados do comércio externo ajudam a reforçar as reservas internacionais, segundo a instituição.
O Banco Central já comprou US$ 11,5 bilhões neste ano, superando a meta de US$ 10 bilhões. As reservas líquidas atingiram US$ 8 bilhões, recuperação frente aos US$ 10 bilhões negativos de abril do ano anterior.
Riscos, classificação de risco e reformas
A melhora de risco ajudaria a ampliar a base de investidores para a dívida argentina. Recentemente, o rating soberano subiu de CCC+ para B- pela S&P e pela Fitch, com a Moody’s prevista para revisão.
Desde o fim de 2023, Milei implementa reformas para desregulamentar investimentos e atrair capital privado. Medidas incluem o fim de controles de preços, desvalorização cambial e mudança na legislação de abastecimento e comércio exterior.
A reforma trabalhista aprovada em fevereiro flexibilizou jornadas e férias. As mudanças visam estimular o investimento e reduzir o custo de curto prazo do ajuste econômico.
Ainda que 2024 tenha mostrado queda do PIB (-1,3%), a recuperação começou em 2025 com avanço de 4,4%. Para este ano, a estimativa é de crescimento de 3,5%, mantendo o impulso de ajuste fiscal e reformas em curso.
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