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Fundo da Porto evitou a crise de crédito por governança

Fundo Pitangueira, com governança ESG, resistiu à crise de crédito e supera CDI no acumulado, preparando-se para tornar-se fundo sustentável

Ricardo Espindola, superintendente de renda fixa e crédito privado da Porto Asset: fundo de crédito ESG filtrou problemas e se prepara para se tornar um fundo sustentável
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  • No período fevereiro a março, o fundo Pitangueira, da Porto, ficou próximo do CDI, com desempenho de 0,14% abaixo do CDI no acumulado de dois meses, segundo o E-Investidor.
  • A gestão ESG integrada ao Pitangueira afastou ativos de Raízen e Grupo Pão de Açúcar da carteira, após as empresas entrarem em recuperação extrajudicial no início de março.
  • A Ambipar não passou pelo filtro de governança do Pitangueira, apesar de atuar no segmento de tratamento de resíduos ambientais.
  • Em março, o Ipê teve impacto de Raízen, que representava 0,3% do patrimônio, com queda de metade no valor de seus títulos, contribuindo para queda mensal de 0,39% abaixo do CDI.
  • No acumulado do ano até maio, o Pitangueira está acima do CDI, em 101,6%, enquanto o DI fica em 99,8% e o Ipê em 98%.

Em fevereiro e março, o fundo Pitangueira, gerido pela Porto, teve desempenho melhor que fundos de crédito que compram debentures da própria gestora. O diferencial veio da integração de aspectos ESG na gestão.

A carteira do Pitangueira ficou sem ativos da Raízen e do Grupo Pão de Açúcar, que entraram em recuperação extrajudicial no início de março, decorrentes de questões de governança. Outros fundos da casa, como DI e Ipê, não tiveram esse filtro.

A explicação prática é que o filtro ESG ajudou a evitar títulos de empresas com histórico de governança conturbado, afirmam especialistas ouvidos pela imprensa setorial. Em março, a recuperação judicial de Ambipar também impactou o mercado, mas com menos efeito no Pitangueira.

No acumulado de fevereiro a março, o Porto DI rendeu 0,25% abaixo do CDI, o Ipê 0,61% abaixo, enquanto o Pitangueira ficou 0,14% abaixo do CDI. O desempenho ficou acima de alguns pares de crédito privado nesse período.

Em março, o Ipê, com títulos da Raízen na carteira, caiu 0,39% abaixo do CDI. Mesmo representando 0,3% do patrimônio, o euro título contribuiu para a piora mensal. Segundo o gestor, metade da baixa veio da Raízen.

Até maio, o Pitangueira, que já soma patrimônio de cerca de R$ 100 milhões, supera o CDI, com ganho de 101,6% frente ao índice. O DI fica em 99,8% do CDI e o Ipê, 98% do CDI, na leitura de desempenho agregado.

Ricardo Espindola, superintendente de renda fixa e crédito privado da Porto, reforça que o Pitangueira mostrou resiliência e menor volatilidade neste intervalo. O foco é chegar a um fundo sustentável sob a classificação IS da Anbima.

Fundo ESG

A Porto utiliza metodologia própria desde 2022 para avaliar ativos com critério ESG, com apoio de consultoria. Dois colaboradores cuidam do tema, com comitês responsáveis pela elegibilidade e revisões mensais.

Segundo o gestor, portfólios ESG costumam ser mais concentrados. Por isso, a análise de crédito precisa ser ainda mais rigorosa para manter o equilíbrio entre risco e retorno.

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