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Fundos globais de renda fixa superam CDI; saiba como

Fundos de renda fixa global, com proteção cambial, rendem acima do CDI ao explorar carry entre juros brasileiros e americanos, com risco de crédito

Fundos globais — Foto: Getty Images
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  • Fundos brasileiros que investem no exterior venceram os períodos de baixa do crédito local, rendendo mais de 20% ao ano em alguns meses, com proteção cambial embutida.
  • Sete fundos de renda fixa da Gama Investimentos mostraram CDI positivo em março e abril, aproveitando o carry trade entre juros no Brasil e nos EUA.
  • Diferença entre Selic de 14,5% e juros nos EUA, entre 3,50% e 3,75%, sustenta o desempenho superior, mesmo com riscos de crédito.
  • O carry trade ocorre quando o retorno em reais vem da operação de trazer recursos dolarizados de volta ao real sem sofrer impacto significativo da variação cambial.
  • Exemplos citados: participação em fundos da Man (grau de investimento) rendeu 17,5% nos últimos 12 meses; participação em cotas da Lord Abbett (segmento imobiliário nos EUA) rendeu 20,9%.

Em meio a resgates de fundos de crédito privado no Brasil, fundos brasileiros que investem fora do país apresentaram retornos expressivos nos últimos meses. Entre março e abril, alguns reduziram o CDI na prática, mostrando desempenho superior graças a operações de câmbio e a seleção de ativos no exterior.

Os gestores destacam que o ganho veio principalmente de um carry trade: o diferencial entre juros de diferentes países aliado à proteção cambial. Com a Selic em 14,5% e juros nos EUA entre 3,50% e 3,75%, o diferencial supera 10,75 pontos percentuais, segundo Bernardo Queima, da Gama Investimentos.

Entre os fundos alinhados a esse movimento, sete veículos da Gama que investem em cotas de fundos globais mostraram rentabilidade positiva, inclusive acima do CDI em meses de maior aversão ao crédito local. Um investe em títulos de grau de investimento da Man e outro em ativos da Lord Abbett, voltados ao segmento imobiliário americano.

Como funciona a proteção cambial e por que alimenta o desempenho

A estratégia não é apenas proteção contra flutuações do dólar. Ao trazer recursos em dólar de volta ao real, o processo busca manter a cotação estável, descolando o rendimento da variação cambial. A remuneração surge do carregamento entre as taxas de juros dos dois países.

Segundo a Gama, o carry trade consiste em manter a diferença de juros como componente de retorno, independentemente das oscilações cambiais. Em cenários de menor volatilidade do câmbio, esse efeito pode se manter estável, contribuindo para o resultado.

Em comparação, o crédito privado brasileiro enfrenta maior risco de inadimplência e volatilidade. Operadores como a ARZ Capital veem diferenciais significativos entre recuperar créditos nos EUA e no Brasil, com recuperação média muito superior no exterior, conforme estudo citado pelo gestor.

A ARZ mantém um fundo que investe em um portfólio gerido pela Bain Capital, focado em empréstimos diretos a empresas de médio porte nos EUA. O ativo, um Business Development Company, é considerado de alto risco, mas com vantagens de recuperação em prazos mais curtos no exterior.

Para o investidor, o retorno líquido depende de como o fundo transforma os juros norte-americanos em ganhos em real e gerencia os custos da proteção cambial. Quando o custo de proteção é absorvido, o efeito do diferencial de juros aparece como parte do rendimento final.

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