- O Fórum Econômico Mundial aponta que soluções digitais para governos podem gerar até US$ 9,8 trilhões até 2034, com maior uso de nuvem e IA.
- O Brasil figura entre os mais avançados do mundo em governo digital, segundo o índice do Banco Mundial de 2025.
- A inovação no setor público é mais travada pela decisão do que pela tecnologia, devido a controles, fiscalização e exposição política.
- Evitar inovações aumenta a ineficiência estrutural, gerando custos e serviços aquém do esperado pela população.
- Govtechs podem acelerar a inovação, mas precisam de abertura para experimentação e gestão de riscos calculados, com governança e transparência.
O setor público vive uma fase de maior disponibilidade de recursos, tecnologia e pressão por eficiência. Segundo o Fórum Econômico Mundial, soluções digitais podem gerar até US$ 9,8 trilhões até 2034. O Brasil aparece entre os países mais avançados em governo digital, segundo o índice do Banco Mundial de 2025. Ainda assim, a inovação avança lentamente e o principal obstáculo é decisório.
A resistência não é técnica, mas de governança. Em ambientes de controle rígido, fiscalização constante e exposição política, inovar costuma ser visto como aposta de risco. No setor público, erros podem acarretar consequências administrativas, jurídicas e reputacionais, tornando o caminho mais previsível.
Diante da incerteza, gestores costumam adotar soluções já testadas, fornecedores consolidados e contratos que priorizam segurança formal. A inovação aparece como exceção, não como ferramenta de gestão, e o risco se transforma de forma, não desaparece.
Evitar a inovação reduz risco imediato de erro, mas aumenta o risco de ineficiência estrutural. Sistemas desatualizados, processos manuais e pouca integração elevam custos e deixam serviços abaixo da expectativa da população. Em cenário de pressão fiscal, não inovar também é arriscado.
As govtechs aparecem como catalisadoras de mudança, trazendo velocidade e especialização para problemas antigos. Contudo, sem abertura para experimentação e sem disposição de assumir riscos calculados, mesmo soluções promissoras ficam limitadas a pilotos ou contratos isolados.
Desafios e caminhos
Inovar no setor público não significa agir sem controle. O foco é gerenciar riscos de forma mais inteligente, testando, medindo impacto e desenvolvendo soluções com base em evidências. Governança, transparência e critérios bem definidos são itens centrais.
O debate envolve entender que governança adequada não elimina risco, mas o reduz por meio de decisões informadas e controle de resultados. A ideia é construir soluções com evidência, acompanhando métricas e ajustes ao longo do tempo.
Quem fala sobre o tema são especialistas da Dome Ventures, que destacam a necessidade de uma gestão de inovação estruturada. Luiz Costa é gerente de Inovação e Lincoln Ferdinand, gerente de Marketing da mesma empresa, contribuindo com a visão prática do setor.
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