- O Banco do Japão elevou a taxa de juros principal para 1%, o maior nível desde 1995, em meio a boletos de energia mais caros.
- A decisão levou a taxa de 0,75% para 1%, marcando o segundo aperto desde março de 2024.
- O movimento ocorre enquanto outros bancos centrais também ajustam juros diante da inflação global e da alta no custo de vida.
- A inflação japonesa está abaixo da meta de 2%, enquanto os preços no atacado subiram mais de 6% em maio em relação a igual mês de 2023.
- O governador Kazuo Ueda não participou da reunião por tratamento médico, mas vem sinalizando apoio à alta de juros entre os parlamentares do BOJ.
O Banco do Japão elevou nesta terça-feira a taxa básica de juros para 1%, o maior patamar desde 1995. A alta ocorre em meio a um avanço global de preços de energia, que pressiona economias dependentes de petróleo e gás. A decisão reduz a diferença com juros de outras nações e sinaliza a continuidade de uma normalização monetária no país.
A medida, que subiu a taxa de 0,75% para 1%, coincide com a intensificação de pressões inflacionárias no Japão, impulsionadas pela escalada dos custos de energia. A inflação do país já não é mais tratada apenas como reflexo de políticas de emergência, mas como uma tendência que pode exigir resposta continuada.
A política de juros do BOJ vem sendo endurecida gradualmente desde março de 2024, quando ocorreu a primeira alta em 17 anos. Economistas destacam que o banco busca equilíbrio entre controlar a inflação e manter custos de empréstimos sob controle para governo e empresas.
Kazuo Ueda, governador do BOJ, não participou da reunião desta semana por motivo de hospitalização devido a um cisto no fígado. Mesmo ausente, ele e outros membros do comitê sinalizaram tom mais firme de altas nos meses recentes.
Analistas lembram que o atual patamar ainda é baixo frente a grandes economias, como EUA e Reino Unido, que operam acima de 3%. Mesmo assim, o movimento japonês pode indicar uma reacomodação gradual no cenário global, com foco em estabilizar o iene.
O ministro-chefe Sanae Takaichi, conhecida por defender aumentos de gastos, não chegou a criticar publicamente a elevação, mas enfrenta pressão para conter a inflação. A conjuntura mantém o BOJ sob vigilância quanto à credibilidade de sua política.
A decisão pretende, entre outros objetivos, conter pressões inflacionárias e estabilizar o iene, sob ataque de moedas norte-americana e europeia. Até o momento, a inflação total permanece abaixo da meta de 2% do banco.
Desdobramentos futuros devem considerar o impacto sobre o custo de empréstimos, o financiamento do governo e o ambiente de negócios. Especialistas destacam que o cenário global pode seguir se realinhando lentamente.
Fontes consultadas incluem a BBC e análises de economia, com observação de que o movimento japonês ocorre em um contexto de reajustes globais de política monetária.
Additional reporting by Osmond Chia.
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