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Mercado privado deve ampliar financiamento do agronegócio, dizem especialistas

Especialistas defendem maior papel do mercado privado no crédito ao agronegócio, com o governo como garantidor e expansão de CPRs e Fiagros

Da esquerda para a direita, Márcio Juliboni, editor de VEJA e VEJA Negócios; Fábio Galindo, CEO da Future Climate; Gabriela Chiste, head de Crédito Agro da Vinci Partners; Gustavo Diniz Junqueira, empresário e ex-secretário de Agricultura de São Paulo; e Vitor Moraes, superintendente nacional de Agronegócio da Sicredi, durante painel sobre crédito e financiamento rural no VEJA Fórum Agro 2026.
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  • Painel do VEJA Fórum Agro 2026 aponta que o crédito privado e o mercado de capitais devem sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
  • Especialistas defendem que o governo atue como garantidor de crédito, possivelmente usando recursos do Fundo Social do Pré-Sal para reduzir riscos e atrair investidores privados.
  • Dados mostram que, na safra 2025/26, cerca de 30% do crédito rural veio de recursos governamentais e 70% de fontes privadas; o Plano Safra é recorde, porém cresce mais devagar que o privado.
  • Entre 2021 e 2025, CPRs passaram de 94 bilhões para 527 bilhões de reais; LCAs chegaram a 608 bilhões; CRAs atingiram 167,6 bilhões e Fiagros somam 43,1 bilhões.
  • O mercado privado cresce mais rapidamente que o crédito oficial; CPRs e Fiagros podem democratizar o crédito para médios produtores, com desafios como inadimplência, liquidez e regulação.

O mercado privado deve assumir papel maior no financiamento do agronegócio brasileiro, apontam especialistas. Durante o segundo painel do VEJA Fórum Agro 2026, realizado na terça-feira, 16, em São Paulo, participantes defenderam menos dependência de recursos subsidiados e maior participação do mercado de capitais.

O debate ocorreu num momento de pressão sobre a rentabilidade do produtor, com juros elevados e preocupação com a sustentabilidade financeira do setor. Um dos debatedores, Gustavo Diniz Junqueira, alertou que a discussão sobre crédito rural está desalinhada, propondo mudanças estruturais para evitar novas renegociações.

Junqueira sugeriu utilizar parte dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar um mecanismo permanente de garantia de crédito ao setor, reduzindo riscos sistêmicos. Ele citou que o fundo acumula cerca de 140 bilhões de reais e gerou aproximadamente 30 bilhões de reais em receitas no último ano, defendendo que o governo atue como garantidor.

Avanço do mercado privado

Gabriela Chiste, head de Crédito Agro da Vinci Partners, reiterou que o Plano Safra continua essencial, porém não acompanha o ritmo de crescimento do agronegócio. Dados apresentados indicam que cerca de 30% do crédito rural da safra 2025/26 veio de recursos governamentais, enquanto 70% foram privados.

O Plano Safra soma 605,2 bilhões de reais, recorde histórico, mas cresce mais devagar do que instrumentos privados, apontam as análises. Entre 2021 e 2025, CPRs saltaram de 94 bilhões para 527 bilhões, e as LCAs passaram de estoques menores para 608 bilhões de reais, com os CRAs em 167,6 bilhões.

Chiste ressaltou que o mercado privado cresce mais rapidamente que o crédito oficial, e que o próximo passo envolve ampliar o acesso dos produtores ao mercado de capitais, com destaque para CPRs e Fiagros. Ela afirmou que o governo deve atuar mais como catalisador do que como financiador direto.

Desafios e perspectivas

Apesar do avanço, existem entraves. Entre eles, o risco de inadimplência, concentração em grandes emissores, liquidez insuficiente de alguns instrumentos e possíveis mudanças regulatórias que poderiam reduzir o interesse dos investidores.

A executiva enfatizou que o Brasil é uma potência agrícola e que o financiamento deve acompanhar esse protagonismo, citando a necessidade de continues avanços para sustentar o crescimento com maior participação do capital privado.

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