- Em aproximadamente cinquenta dias entre as últimas reuniões, inflação e juros mantêm leitura complexa no Brasil e nos EUA, influenciadas pela volatilidade e pela guerra no Oriente Médio, que elevou preços de commodities.
- Nos Estados Unidos, o mercado espera que o Federal Reserve mantenha a taxa entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas o mercado de trabalho forte e o aumento de vagas em maio alimentam a possibilidade de aperto adicional no futuro.
- No Brasil, o mercado aguarda um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, com o fiscal sob pressão por medidas que podem piorar as contas públicas e aumentar a aversão a risco.
- A curva de juros reagiu com aumento de premissas de juros mais altos por mais tempo, mesmo com sinal de alívio relativo caso haja avanço na pacificação global.
- Economistas destacam que o cenário de inflação persistente e a política fiscal expansionista tornam a decisão do Copom ainda mais cautelosa, sem descartar ou confirmar caminhos de cortes na sequência.
O que mudou desde a última reunião do Copom e do Fed e o que pode influenciar a decisão desta semana. O período entre os encontros de abril e a semana de 17 de maio foi marcado por leituras divergentes de inflação e juros, com volatilidade nos mercados globais. A leitura de Congruência entre inflação e atividade continua desafiadora para bancos centrais.
Indicadores acima do esperado e maior cautela sobre passos futuros alimentaram apostas de juros mais altos por mais tempo. O ambiente geopolítico, especialmente a continuidade da guerra no Oriente Médio, colaborou para a revisitação de cenários de política monetária em ambos os países.
Pelo lado macro, o temor de distorções inflacionárias alimenta dúvidas sobre o ritmo de cortes ou altas. Mercados precificaram movimentos para frente, mas com divergência entre cenários de curto e longo prazo. Economistas destacam que a comunicação dos bancos centrais pode ganhar relevância neste momento.
Nos EUA
O Fed deve manter a faixa atual da taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, segundo o consenso de mercado. Desde abril, porém, há maior cautela sobre cortes ou aumentos, com o cenário dependente de dados de emprego e inflação.
O mercado de trabalho americano surpreendeu com criação de 172 mil vagas em maio, acima de expectativas. Esse dado fortalece o apetite por uma comunicação mais firme do Fed, sem contornos claros de elevação de juros no curto prazo, mas com rigidez monitorada.
Alguns intérpretes indicam que a inflação pode exigir uma resposta mais contundente, mesmo com sinais de desaceleração em alguns componentes. Ainda assim, analistas não veem cortes de juros em 2024 na visão de curto prazo, com atenção a sinais de demanda.
No Brasil
A expectativa é de novo recuo de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa a 14,25% ao ano. O cenário depende do combate à inflação, do comportamento fiscal e das incertezas externas que influenciam o câmbio.
Antes da reunião do Copom, a curva de juros apontava possibilidade de novas altas caso a inflação se mantivesse pressionada. O ambiente de guerra e o ajuste fiscal elevavam o desafio para a autoridade monetária brasileira.
Alguns analistas destacam que a piora das projeções de inflação e a elevação do dólar diante de fatores externos podem manter o Copom em postura cautelosa. Há avaliação de que o BC pode optar por manter o ritmo de cortes apenas na próxima janela.
O impacto fiscal, com medidas polêmicas aprovadas no Senado, elevou as preocupações com contas públicas e a credibilidade da política monetária. Mesmo com sinais de alívio geopolítico, a inflação doméstica continua a exigir vigilância estreita.
Apesar das pressões, o recuo gradativo dos juros segue como viável, desde que as leituras de inflação convergirem para metas no médio prazo. Analistas ressaltam que o caminho dependerá da resposta fiscal e das pressões cambiais.
O ambiente mundial, com petróleo em trajetória de queda recente, trouxe alívio parcial. No entanto, especialistas destacam que choques de oferta continuam a influenciar preços e elevam a incerteza sobre o ritmo de desancoragem das expectativas.
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