- O Sistema Elétrico Brasileiro encara a necessidade de incluir Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (SAEB), com déficit projetado de 5,5 mil MW em 2028 e variação de demanda superior a 30 GW em quatro horas, exigindo maior flexibilidade na operação, segundo o estudo da PSR em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS).
- Ons estima mais de duzentas ações diárias de manobras de equipamentos até 2030 para o controle da rede, reforçando a importância de arranjos operacionais eficientes para as baterias.
- O quarto relatório do estudo aponta três arranjos básicos: operação centralizada pelo operador do sistema, autodespacho pelo empreendedor e uma opção mista; no curto prazo, o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade por armazenamento deve ocorrer no fim deste ano, com coordenação do ONS.
- Com o amadurecimento do mercado, espera-se maior autonomia para os empreendedores e novas fontes de receita, por meio de arranjos mais flexíveis e de empilhamento de serviços.
- Além de serviços ao sistema, a integração eficiente de SAEB depende de aperfeiçoamentos no SEB, incluindo licenciamento ambiental, segurança operacional e gestão de resíduos, com governança regulatória uniforme e atenção aos impactos socioeconômicos das comunidades afetadas.
A operação do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB) passa a considerar com mais insistência o uso de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (SAEB). O estudo conjunto da PSR e do Instituto Clima e Sociedade (iCS) analisa como operacionalizar essa condição, diante de déficits projetados e variações de demanda.
Segundo o levantamento, o SEB prevê um déficit de 5.500 MW de potência em 2028 e picos de até 30 GW entre períodos de baixa e alta demanda. O ON de novembro aponta a necessidade de mais de 240 manobras diárias até 2030 para controle da rede, sinalizando a relevância das baterias na operação.
O estudo apresenta três arranjos básicos de operação: coordenação pelo operador do sistema, autodespacho pelo empreendedor e uma via mista que evolui ao longo do tempo. O primeiro Leilão de Reserva de Capacidade por armazenamento (LRCAP) deve ocorrer no fim deste ano sob supervisão do ONS, priorizando segurança operativa.
No curto prazo, o LRCAP centralizado facilita a inserção inicial de SAEB, com foco na confiabilidade. Conforme o mercado amadurece, modelos mais flexíveis devem ampliar a autonomia dos empreendedores e diversificar as receitas, envolvendo diferentes serviços ao sistema.
Arranjos operacionais
SAEBs oferecem serviços variados: apoio à operação do SEB, disponibilidade de serviços ancilares e potencial de múltiplas receitas. Ainda assim, o desenho regulatório precisa evoluir para ampliar a eficiência e a cooperação entre agentes.
A consolidação de um marco regulatório uniforme e a governança interinstitucional são apontadas como fundamentais. O texto destaca que o ciclo de vida dos SAEBs exige licenciamento ambiental adequado, segurança operacional e gestão de resíduos bem definidos.
A janela entre agora e os primeiros descomissionamentos representa oportunidade para o Brasil estruturar regras antes que a pauta se impua de forma reativa. O objetivo é tornar a inserção das baterias eficiente, segura e previsível.
Desafios e impactos
O estudo também enfatiza o dimensionamento socioeconômico da adoção de SAEB e o fortalecimento das comunidades afetadas. O avanço depende de planejamento que minimize impactos negativos e maximize benefícios para o conjunto da sociedade.
A visão integrada apresentada busca alinhar eficiência operacional, segurança da rede e justiça social, evitando assim distorções na distribuição de ganhos com o uso das baterias.
Entre na conversa da comunidade