- No fim de maio, o Valor Investe mostrou que as small caps não acompanharam o rali da bolsa, puxado principalmente por fluxo externo e pela preferência por ações mais líquidas.
- O autor cita a própria tese de mestrado, que analisou ações do Ibovespa entre 1996 e 2016 e encontrou rentabilidade similar entre companhias de menor e maior tamanho, diferente do que sugere o estudo de Fama e French.
- Em momentos recentes, a carteira de menor capitalização teve desempenho pior, com a maior incerteza macroeconômica e a alta dos juros pesando sobre as small caps.
- O Ibovespa subiu cerca de 9,1%, enquanto o índice de small caps (SMLL) caiu 0,6%, indicando o efeito da incerteza fiscal sobre o setor.
- Há três meses, o autor já alertava que a valorização recente era mais técnica (volume) do que fundamental, apontando fragilidade do cenário macroeconômico brasileiro.
No fim de maio, uma reportagem do Valor Investe apontou que as small caps, ações de menor capitalização, não acompanharam o rali recente da bolsa brasileira. O movimento foi puxado principalmente por entradas de recursos externos, favorecendo ativos de maior liquidez.
A valorização atual teve origem no fluxo de capitais estrangeiros. A leitura é que investidores priorizaram liquidez, o que prejudicou as small caps em relação às empresas de maior porte.
Por que isso ocorreu? A incerteza fiscal e a elevação dos juros contribuíram para o desempenho desfavorável das empresas menor capitalização. Enquanto o Ibovespa subiu, o SMLL recuou.
Contexto histórico
Em estudo de mestrado, o pesquisador André Rocha analisou ações do Ibovespa de 1996 a 2016, buscando replicar a análise de Fama e French. A conclusão foi que, nesse período, small caps apresentaram rentabilidade similar às large caps.
Durante o governo Dilma Rousseff, porém, o retorno das small caps ficou abaixo do das large caps. Fatores macroeconômicos — inflação elevada, crescimento baixo e desvalorização cambial — teriam prejudicado as empresas de menor tamanho.
Dados recentes reforçam o quadro atual: o Ibovespa registrou alta de 9,1% no período apontado, enquanto o índice de small caps (SMLL) caiu 0,6%. A leitura é de que incerteza fiscal e juros elevados pesaram sobre o segmento.
Sobre o autor
André Rocha é graduado pela UFRJ, mestre pela FGV/EPGE, advogado e analista certificado pela Apimec. Disciplinas de carreira e atuação podem ser consultadas em suas redes sociais.
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