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Tecnologia e dados devem transformar o crédito rural, dizem especialistas

Especialistas dizem que dados de qualidade, IA e monitoramento de risco devem transformar o crédito rural, aumentando o fluxo de capital ao agronegócio

Da esquerda para a direita, Márcio Juliboni, editor de VEJA e VEJA Negócios; Fábio Galindo, CEO da Future Climate; Gabriela Chiste, head de Crédito Agro da Vinci Partners; Gustavo Diniz Junqueira, empresário e ex-secretário de Agricultura de São Paulo; e Vitor Moraes, superintendente nacional de Agronegócio da Sicredi, durante painel sobre crédito e financiamento rural no VEJA Fórum Agro 2026. (Flavio Santana-Biofoto/Reprodução)
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  • Painel do VEJA Fórum Agro 2026 destacou que dados, IA e monitoramento de riscos devem transformar o crédito rural no Brasil nos próximos anos.
  • Fábio Galindo, CEO da Future Climate, aponta que o principal desafio é a compreensão e a precificação de risco pelos investidores; a tecnologia pode reduzir a assimetria de informação.
  • Ele cita o Eco Invest Brasil como exemplo de transformação, com recursos para recuperação de pastagens e critérios detalhados de rastreabilidade para financiamentos.
  • Galindo afirma que o produtor rural passará a ser gestor de informações, e que o valor da fazenda pode vir da qualidade do banco de dados, não apenas da extensão de terras.
  • Vitor Moraes, superintendente nacional de Agronegócio da Sicredi, destaca três fatores de risco: capacidade de pagamento, impactos climáticos e comportamento dos mercados, ressaltando a relevância das cooperativas de crédito pela proximidade e pelo portfólio de soluções.

O segundo painel do VEJA Fórum Agro 2026, realizado em 16 de agosto no Teatro Santos Augusta, em São Paulo, destacou o papel de dados, tecnologia e análise de risco na transformação do crédito rural brasileiro. Executivos das áreas financeira e de tecnologia apresentaram caminhos para ampliar o acesso a recursos no agronegócio.

Eles defendem que a chave não é a disponibilidade de capital, mas a capacidade de investidores entenderem e precificarem os riscos do setor. A aposta é que ferramentas digitais tornem o crédito rural mais barato e mais acessível, essencial para sustentar o crescimento agrícola.

A ideia central é usar dados como principal ativo. Segundo Fábio Galindo, CEO da Future Climate, o novo estágio de concessão de crédito depende de monitoramento detalhado e rastreabilidade. Sem qualidade de dados, o custo do capital tende a subir.

Para Galindo, o produtor passa a atuar como gestor de informações. A avaliação de uma fazenda pode pesar mais pela qualidade do banco de dados do que pela extensão de terras, segundo o executivo. Integração de informações ganha prioridade.

Transformação do crédito rural

Vitor Moraes, superintendente nacional de Agronegócio da Sicredi, apontou um momento de mudança impulsionado por juros elevados, rentabilidade pressionada e eventos climáticos. Ele listou três pilares na avaliação de risco: capacidade de pagamento, impactos climáticos e comportamento dos mercados.

A visão de Moraes enfatiza que a rentabilidade reduzida e o aumento da alavancagem exigem novas abordagens das instituições. Cooperativas de crédito ganham relevância como elo entre mercado financeiro e produtores.

Segundo o executivo, a proximidade regional e a diversificação de produtos são vitais para ampliar o acesso a recursos. Ferramentas que tragam previsibilidade ao fluxo de caixa, como seguros rurais e instrumentos de proteção de preços, passam a ter papel estratégico.

Papel das cooperativas

A Sicredi destaca ainda a importância de soluções integradas, que combinam conhecimento local, portfólio adequado e atendimento próximo. A eficiência na entrega de crédito depende de entender cada perfil de produtor e adaptar as opções disponíveis.

O debate ressaltou que o uso de tecnologia pode destravar capital para o agronegócio, reduzindo custos e ampliando a disponibilidade de financiamentos. A partir disso, o setor público e privado podem alinhar critérios de avaliação de risco.

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