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Redes da China e Rússia usam cripto para lavar dinheiro no Brasil, aponta Chainalysis

Chainalysis aponta redes chinesas, entidades ligadas à Rússia e cartéis usando criptomoedas no Brasil para lavagem de dinheiro, em meio a novo regime regulatório.

Lavadora cheia de dólares remete à crime de lavagem de dinheiro com criptomoedas
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  • Relatório da Chainalysis aponta que redes chinesas de lavagem de dinheiro, entidades ligadas à Rússia e grupos de tráfico responderam por mais de metade dos fluxos ilícitos identificados em exchanges brasileiras em 2025.
  • Entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil recebeu cerca de US$ 318 bilhões em valor on‑chain, cerca de um terço do volume de criptomoedas na América Latina.
  • A Chainalysis associa o tamanho do mercado brasileiro, a adoção de fintechs e o uso de stablecoins atreladas ao dólar a um maior risco de lavagem de dinheiro por organizações criminosas internacionais.
  • O relatório cita ainda redes chinesas de lavagem de dinheiro (CMLNs) e grupos vinculados ao tráfico de drogas, além de entidades sujeitas a sanções ligadas à Rússia, como parte de operações no Brasil.
  • Com a regulação brasileira para serviços de ativos virtuais em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, o primeiro grande teste será a capacidade de identificar e interromper fluxos ligados a cartéis, evasão de sanções e redes internacionais.

O relatório da Chainalysis aponta que redes internacionais de lavagem de dinheiro passaram a usar o mercado de criptomoedas brasileiro, com envolvimento de cartéis, grupos chineses e entidades ligadas à Rússia. A análise destaca que o ecossistema cripto no Brasil já aparece como rota e facilitador dessas atividades.

Entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil movimentou aproximadamente US$ 318 bilhões on-chain, equivalente a cerca de um terço do volume de criptomoedas na América Latina. A Chainalysis associa esse tamanho de mercado à adoção de fintechs, serviços digitais e stablecoins atreladas ao dólar.

Cartéis, Rússia e redes chinesas

Segundo o relatório, as entradas ilícitas em exchanges brasileiras migraram de perfil entre 2023 e 2025. Em 2024 e 2025, a lavagem de dinheiro ligada a cartéis passou a ser a maior categoria identificada, com atuação de redes chinesas (CMLNs) e grupos vinculados à Rússia. Globalmente, as CMLNs seriam responsáveis por cerca de 20% do ecossistema conhecido on-chain.

O documento também cita facções nacionais, como PCC e CV, no uso de criptomoedas em operações financeiras. Além disso, aponta a presença de fluxos ligados à Rússia, incluindo entidades sujeitas a sanções internacionais, que teriam buscado caminhos alternativos após o aperto aos canais tradicionais.

A Chainalysis ressalta ainda a atuação de serviços de garantia, usados como escrow para fraudes e crimes organizados, sinalizando integração do mercado local a ecossistemas criminosos globais. Não há avaliação de compliance de plataformas específicas.

Regulação será colocada à prova

O relatório ocorre no momento em que o Brasil implementa novo marco regulatório para prestadores de ativos virtuais. As regras do Banco Central entraram em vigor em fevereiro de 2026, com obrigações de reporte a partir de maio e autorização prevista para outubro.

As normas criam regime de autorização para corretoras, custodiante e intermediários, com medidas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, além da aplicação da Travel Rule para transferências internacionais.

Para a Chainalysis, o principal teste será a capacidade de identificar e interromper fluxos ligados a cartéis, evasão de sanções e redes internacionais. O estudo aponta que, apesar da ampla exposição, de 75% a 90% do volume ilícito concentrava-se em cinco endereços até março de 2026, sugerindo pontos de intervenção mais rápidos.

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