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Tom duro do Fed e comunicado do Copom ofuscando alívio geopolítico

Fed adota tom mais duro e sinaliza alta possivelmente em 2026; Copom gera ruídos ao ampliar o horizonte relevante, questionando cortes da Selic

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo — Foto: Raphael Ribeiro/BC
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  • O Fed manteve a faixa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano e mostrou postura mais conservadora, com nove diretores favoráveis a alta em 2026 e retirada do forward guidance.
  • Mercados passaram a precificar probabilidade de alta dos juros a partir de setembro em 51%, ante 29,5% para manter as taxas.
  • O Copom manteve a Selic em 14,25% ao ano, mas o comunicado gerou ruídos ao alongar o horizonte relevante para estimar efeitos na economia, citando o primeiro trimestre de 2028.
  • Economistas questionam se o BC pretende cortar juros no curto prazo, diante do possível alongamento do horizonte relevante.
  • A reação inicial dos ativos globais foi negativa, mas os futuros de Wall Street voltaram a subir, com Nasdaq em alta de cerca de 1,5% e S&P 500 em torno de 0,8%; o dólar operava em alta, aos 100,73 pontos no DXY.

O mercado abriu a manhã com foco nas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). As instituições não surpreenderam, mas a comunicação divergiu do esperado, gerando ruído entre investidores.

O Fed manteve a faixa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, sob a condução de Kevin Warsh. A leitura de que a alta de juros pode ocorrer em 2026 ganhou força, com nove dirigentes a favor de aperto no longo prazo. Warsh também indicou mudanças na comunicação, afastando o forward guidance.

Mercado reagiu com volatilidade inicial, mas contratos futuros indicaram maior probabilidade de alta a partir de setembro. Dados do CME Group apontam 51% de chance de elevação vs 29,5% anteriormente. Wall Street buscava fôlego, com Nasdaq e S&P 500 em alta no começo da sessão.

Copom imprime ruídos sobre horizonte da política

O Copom gerou ruídos ao alterar o que é chamado de horizonte relevante para calibrar a política. O intervalo, antes encerrado no quarto trimestre de 2027, passou a mencionar o primeiro trimestre de 2028, gerando questionamentos sobre possíveis cortes na Selic.

Economistas veem a mudança como indício de postura cautelosa do Banco Central brasileiro. Especialistas destacam que o movimento abre espaço para debate sobre a extensão das decisões de política monetária e o ritmo de redução da Selic.

No cenário externo, a reabertura do Estreito de Ormuz e o cessar-fogo entre EUA e Irã dominaram a pauta, mas o ambiente permanece tenso. Nos EUA, o cronograma de política monetária e as ações do governo elevam a complexidade para investidores globais.

As cotações de câmbio seguiram pressionadas. O dólar, medido pelo DXY, avançou, refletindo a percepção de maior rigor monetário nos EUA e incerteza sobre o impacto das mudanças na comunicação do Fed.

Diante desses movimentos, investidores passaram a monitorar indicadores de inflação e sinais de mudança de cenário econômico, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil, para ajustes em carteira.

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