- Demanda recorde por conexões à rede elétrica deve atrasar entregas para grandes consumidores, com alguns projetos chegando a 2030 ou além dependendo da região.
- Governo criou um sistema de leilão de acesso: quem oferecer maior ágio por kW disponível vence o direito de se conectar.
- Região de São Paulo e arredores, além do Nordeste próximo ao porto de Pecém, concentram os maiores lotes de pedidos, incluindo data centers.
- ONS analisa 61 pedidos de conexão direta à rede básica, sendo 38 deles de data centers; a primeira temporada de acesso definirá conectividade para 2027 a 2029.
- A indústria de base teme perder espaço no grid para os data centers, com disputa acirrada por capacidade em meio a planos de expansão e novas obras de transmissão.
A demanda por conexão de grandes consumidores à rede de transmissão de eletricidade brasileira atingiu nível recorde, com pedidos que podem ultrapassar a capacidade disponível. Segundo dados públicos, algumas conexões só deverão ocorrer após 2030, em diferentes regiões do país.
O governo federal criou em dezembro um sistema de temporadas de acesso, em que vence quem oferecer o maior ágio por kW de capacidade. A regra transforma o processo em uma competição financeira entre empresas, incluindo gigantes da tecnologia e indústrias de base.
A indústria de base teme ficar em desvantagem frente aos data centers, que demandam dezenas de megawatts de uma só vez. A Abrace, associação que reúne 59 grupos, afirma que a disputa pode atrasar investimentos significativos e o crescimento econômico em alguns estados.
O Ministério de Minas e Energia aponta que cerca de 8 GW devem ficar disponíveis para novos consumidores, com maior ênfase em São Paulo e Campinas. Atrasos são esperados principalmente na transmissão, principalmente na região metropolitana de SP e no Nordeste, perto do Pecém.
Onda de pedidos já está em análise no ONS, que avalia 61 solicitações de conexão direta à rede básica, incluindo 38 de data centers. A primeira temporada de acesso definirá ligações para 2027 a 2029, com decisões esperadas até outubro.
Entre os concorrentes, estão empresas de tecnologia como Scala e Microsoft, além de fabricantes da indústria de base como Unipar e Gerdau. Em plataformas públicas, o ONS já indicou margens de conexão próximas a Pecém com disponibilidade restrita até 2031.
Especialistas destacam critérios técnicos na avaliação, como a disponibilidade de subestações e limites de transmissão para evitar superaquecimento ou curtos-circuitos. A competição envolve impactos em empregos e planejamento de investimentos.
A ideia é aumentar a eficiência e a transparência do processo, com regras que consideram a conectividade em um horizonte de até cinco anos. O setor de tecnologia vê o novo formato como positivo para projetos sérios e bem planejados.
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