- O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, conforme anúncio na noite de quarta-feira (17).
- Economista Silvia Ludmer, do Andbank, classificou o comunicado como longo e confuso, deixando o ambiente mais incerto para investidores e analistas.
- O texto foi visto como contraditório em dois pontos: manter a cautela diante de fatores negativos, mas seguir com cortes; e ampliar o horizonte de política para 2028 em vez de 2027 para justificar reduções.
- As projeções de inflação pioraram: IPCA projetado subiu de 3,3% (março) para 3,7% (agora), mantendo distância da meta de 3%.
- A leitura de cenário aponta tensão entre política monetária restritiva e estímulos fiscais, com impactos observados na curva de juros: juros de curto prazo recuaram e os de longo prazo subiram, gerando dúvidas sobre a credibilidade do BC.
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,5% para 14,25% ao ano. A decisão, anunciada na noite de quarta-feira, veio acompanhada de um comunicado que gerou debates entre economistas e agentes de mercado.
Silvia Ludmer, do Andbank, considerou o comunicado longo e confuso. Ela afirmou que grupos de especialistas ficaram desorientados ao ler o texto, que não esclareceram o raciocínio do BC e, ao contrário, aumentaram a sensação de incerteza.
Segundo a economista, o documento apresenta contradições. Inicialmente menciona preocupações como reaquecimento da atividade, desemprego baixo, inflação dispersa e alta de alimentos, para, em seguida, justificar novos cortes na taxa.
Ela destacou ainda a mudança no horizonte de política monetária. Em vez de projetar a inflação para o primeiro trimestre de 2027, o BC passou a mirar o primeiro trimestre de 2028, o que permitiu apresentar um IPCA mais próximo da meta de 3%.
Ludmer ressaltou que as projeções de inflação têm piorado a cada reunião, com o IPCA esperado aumentando de 3,3% em março para 3,7% no cenário atual. Segundo ela, isso indica maior distância da meta.
A economista apontou a tensão entre política monetária restritiva e fiscal no curto prazo. Pacotes de estímulo do governo teriam elevado o consumo entre 150 e 200 bilhões de reais, dificultando a desinflação.
Essa tensão de cenário também ficou evidente na reação dos mercados. Juros futuros de curto prazo recuaram, enquanto os de longo prazo subiram, sinalizando dúvidas sobre a credibilidade do BC.
Por fim, Ludmer afirmou que não fica claro se o BC conseguirá cumprir a meta ao lado das ações fiscais, que, segundo ela, acabam atrapalhando o processo de desinflação.
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