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Avanço dos robôs pode afetar milhões de empregos precários na China

Fundador da JD.com afirma que cerca de 700 mil entregadores serão substituídos por robôs, enquanto governo busca conter impactos no mercado de trabalho

Robôs dançam na primeira loja de robôs inteligentes 4S do mundo, em 6 de agosto de 2025, em Pequim, China.
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  • O fundador da JD.com afirmou que os cerca de 700 mil entregadores da empresa deverão ser substituídos por robôs no futuro, já com preparação de funcionários para a transição.
  • A JD.com assinou acordos com mais de uma centena de escolas para treinar entregadores em manutenção e reparo de robôs.
  • Autoridades chinesas passam a acompanhar de perto os impactos da automação no mercado de trabalho, diante de avanços em IA e robótica.
  • A economia de plataformas tem atuado como válvula de escape, com entregadores, motoristas de aplicativo e trabalhadores temporários ganhando espaço na capital humano urbano.
  • Pequim tem visto robótica como prioridade nacional, com planos quinquenais buscando unir IA e automação para elevar produtividade e conter desemprego entre trabalhadores de baixa qualificação.

O fundador da JD.com afirmou que cerca de 700 mil entregadores da empresa podem ser substituídos por robôs no futuro. A declaração ocorreu em Shenzhen, durante um fórum empresarial, como parte de um movimento de automação que já começa a impactar empregos de baixa qualificação.

Richard Liu disse que a empresa já iniciou a preparação dos funcionários para a transição, incluindo treinamento para manutenção e reparo de robôs. A JD.com firmou acordos com mais de uma centena de escolas para ampliar esse treinamento.

A fala acontece em meio a preocupações oficiais sobre os efeitos da automação no mercado de trabalho chinês. A combinação de IA, robótica e desaceleração econômica aumenta a dúvida sobre a geração de empregos suficientes.

Desdobramentos para o emprego informal

A China tem visto a economia de plataformas como amortecedor social, com entregadores e trabalhadores temporários ganhando espaço na economia urbana. Estima-se que 320 milhões de trabalhadores informais estejam ativos neste ano, cerca de 40% da força de trabalho urbana.

Dados apontam crescimento acelerado desse segmento, que ajuda a absorver impactos de setores em retração. A organização pública ligada ao tema ressalta a importância de políticas públicas para proteção de trabalhadores e criação de novas ocupações ligadas a IA, drones e manutenção de sistemas.

Robótica como prioridade nacional

A China lidera a adoção de robôs industriais e avança para serviços, com entregas em aeroportos, escritórios e terminais de transporte. Projetos em Shenzhen utilizam robôs para distribuir refeições e reabastecer lojas em áreas com metrôs.

O plano quinquenal, aprovado este ano, eleva a robótica a prioridade estratégica. A meta é combinar IA e automação física para elevar a produtividade, alinhada a uma estratégia de crescimento diante do envelhecimento populacional.

Balanço entre inovação e emprego

Especialistas indicam que trabalhadores de baixa qualificação são os mais expostos. Enquanto robôs assumem atividades repetitivas, IA começa a automatizar tarefas administrativas e de atendimento. O governo discute ampliar proteção social e incentivar novas ocupações ligadas a tecnologia.

Para Pequim, manter o crescimento exige automação sem agravar o desemprego entre jovens. O debate envolve como evitar que a substituição por máquinas agrave a lacuna de oportunidades para quem depende de empregos informais.

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