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BIS incentiva bancos centrais a adotar tokenização no sistema financeiro

BIS incentiva bancos centrais a adotar tokenização e registros distribuídos, visando euro tokenizado e depósitos tokenizados para reduzir fricções e riscos

Unos billetes de dólares y euros.
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  • O Banco de Pagos Internacionales recomenda aos bancos centrais tokenizar o dinheiro e as reservas para modernizar a arquitetura monetária e reduzir fricções entre diferentes tipos de dinheiro, incluindo depósitos tokenizados e stablecoins com salvaguardas.
  • A proposta é criar um livro- razão unificado onde ativos tokenizados possam interagir, programar e liquidar com o euro tokenizado, usando tecnologia de registro distribuído (DLT) sem exigir que tudo seja exatamente em blockchain.
  • O BIS ressalta que o dinheiro de banco central continua como âncora de confiança; a tokenização depende de formas estáveis de dinheiro disponíveis no registro para evitar riscos.
  • As stablecoins privadas podem participar do ecossistema, desde que haja normas, salvaguardas e cooperação regulatória entre jurisdições para mitigar impactos macroeconômicos e de estabilidade.
  • O Banco Central Europeu já planeja conectar o sistema TARGET com plataformas de DLT e liquidar operações em euro tokenizado na segunda metade deste ano, sinalizando uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira da zona do euro.

O Banco de Pagos Internacionais (BIS) recomenda que bancos centrais integrem a tokenização e a tecnologia de registros distribuídos (DLT) na arquitetura monetária, para reduzir fricções e ampliar a interoperabilidade entre diferentes formas de dinheiro. O relatório anual aponta avanços tecnológicos como motivo para atualizar o sistema, mantendo a estabilidade financeira como prioridade.

Segundo o BIS, o dinheiro atual é sólido, mas sofre com processos não automatizados e com várias etapas de compensação. Fricções elevam custos, atrasam pagamentos e aumentam riscos operacionais, sobretudo em transações transfronteiriças. A tokenização serviria para automatizar fluxos de pagamento e liquidação.

Para o BIS, a solução passa por um livro-razão unificado onde dinheiro tokenizado e ativos se comuniquem e sejam liquidáveis de forma integrada. Não é exigido migrar tudo para blockchain, mas sim aplicar tokenização onde houver benefício público, com opções como DLT privadas com permissão e outras arquiteturas.

A instituição destaca que o dinheiro de banco central continua sendo a âncora de confiança. Depositos tokenizados e, em alguns casos, stablecoins privadas podem compor o ecossistema, desde que haja salvaguardas e supervisão suficiente para mitigar riscos macroeconômicos.

O BIS alerta para riscos das stablecoins, incluindo possível desestabilização financeira, evasão regulatória e dolarização em economias emergentes. A contínua adoção massiva poderia favorecer saídas de depósitos e reduzir a oferta de crédito, segundo o relatório.

Interoperabilidade entre redes blockchain também é tema relevante. O BIS aponta que moedas em redes públicas sem permissões não possuem reconhecimento de contas entre cadeias, gerando divergências entre ativos com o mesmo nome. É necessária uma solução de compensação entre livros.

A entidade sinaliza preferência por dinheiro de banco central tokenizado ou depósitos tokenizados, sem excluir totalmente as moedas estáveis. A cooperação regulatória entre jurisdições é vista como essencial para enfrentar falhas e manter a estabilidade.

Projeto Agorá é citado como o marco de experimentação público-privada do BIS. O projeto envolve oito bancos centrais e mais de 40 instituições reguladas, buscando testar um livro-razão unificado para liquidação atômica transfronteiriça entre diferentes moedas.

O objetivo é liquidar transações de grande valor de forma imediata, com menor chance de erro e maior integridade. O BIS considera que tais mecanismos poderiam reduzir ciclos de liquidação e melhorar a resiliência do sistema financeiro global.

No âmbito da Europa, o BCE já avançou ao conectar, na segunda metade deste ano, os sistemas Target com plataformas de registro distribuído para liquidar operações em euro tokenizado. A expectativa é ampliar o ecossistema financeiro digital da zona do euro com tokenização e DLT.

A iniciativa europeia promete incorporar o euro tokenizado como caminho principal, ao mesmo tempo em que admite alternativas privadas, como depósitos tokenizados e stablecoins em euro, para complementar o sistema existente.

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